Bruno Monteiro é o novo Coordenador Municipal de Proteção Civil e explicou ao Jornal A VERDADE as ações a desenvolver este ano, especialmente na época de incêndios. O novo coordenador municipal de Proteção Civil da Câmara Municipal de Marco de Canaveses exerce funções desde o final do ano de 2021, sendo que a nomeação foi feita pelo executivo municipal. 

Em entrevista ao Jornal A VERDADE, Bruno Monteiro afirma que esta nomeação é demonstrativa “da confiança na minha pessoa para uma área nevrálgica de qualquer município pela sensibilidade e perceção necessária para o cumprimento das missões atribuídas”. Bruno Monteiro tem um percurso profissional ligado à proteção civil, numa primeira fase como Oficial do Exército e, posteriormente, ao serviço do batalhão de sapadores dos Bombeiros do Porto. “Deu- -me uma perspetiva muito além do nível do planeamento, isto é, deu-me a perceção daquilo que as pessoas pretendem de nós: mais proximidade”, considerou. 

No entanto, o facto de ter nascido, criado e residir em Marco de Canaveses, foi outro dos motivos que Bruno Monteiro acredita terem estado na decisão do executivo aquando a sua nomeação. “Conheço o território de uma forma quase exaustiva”, constatou. 

De acordo com Bruno Monteiro, compete ao coordenador municipal “dirigir o Serviço Municipal de Proteção Civil, acompanhar permanentemente e apoiar as operações de proteção e socorro que ocorram na área do concelho, em articulação com os diversos agentes de proteção civil”, bem como “promover a elaboração dos planos prévios de intervenção com vista à articulação de meios face a cenários previsíveis e dar parecer sobre os materiais e equipamentos mais adequados à intervenção operacional no respetivo município”

‘Prevenção, Planeamento e Socorro são três eixos fundamentais’ 

O coordenador municipal de Proteção Civil explicou que as ações do serviço que representa desenvolvem-se nos domínios “da prevenção, do planeamento e do socorro”, deixando alguns exemplos de ações desenvolvidas, nomeadamente nas escolas do concelho, em colaboração com outras entidades e agentes de proteção civil. “No aspeto da prevenção, por exemplo, temo-nos desdobrado em ações múltiplas de sensibilização e formação, sobretudo junto dos mais jovens”, disse, acrescentando que “a temática dos Incêndios Rurais são um dos pontos de enfoque nas várias ações concretizadas, no fundo para atribuir a missão aos jovens, enquanto agentes de proteção civil”

No que respeita ao planeamento, o coordenador municipal explicou que o serviço “cria e implementa uma série de planos”. Nesta altura do ano, destaque para o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, um “plano que, genericamente, apresenta a caracterização do município e análise estatística dos incêndios florestais, bem como conjunto de medidas de prevenção e planeamento integrado das diferentes intervenções das entidades envolvidas perante a eventual ocorrência de incêndio florestais, nas vertentes de ordenamento e planeamento do território florestal, sensibilização, fiscalização, vigilância, deteção, primeira intervenção, combate, rescaldo, vigilância pós-incêndio e ações de recuperação das áreas ardidas”, descreveu. 

Na área do socorro, o Serviço de Proteção Civil Municipal conta com os agentes de proteção civil. “Neste domínio, os bombeiros voluntários são fundamentais no processo. Para esse efeito a câmara municipal dá um apoio permanente a estes agentes”, considerou. 

Bruno Monteiro recordou ainda que existem ações que englobam os três níveis, nomeadamente a realização do Exercício Zonas de Concentração e Apoio à População (ZCAP), que “garantem uma solução imediata para as pessoas, por parte do município, em situações de catástrofe ou ainda as visitas de proximidade às populações, com a finalidade de identificar pessoas mais vulneráveis a quaisquer eventos”

Limpeza de matos é a aposta do Município de Marco de Canaveses

A autarquia marcoense aprovou, em reunião de câmara, um protocolo com a Associação Florestal de Entre Douro e Tâmega (AFEDT), que visa a disponibilização da atuação de uma equipa de sapadores florestais. “Esta equipa exercerá a sua atividade durante todo o ano e os trabalhos incidirão em áreas florestais públicas, comunitárias ou aprovadas, definidas de forma a fazer face às necessidades assinaladas no Plano Municipal da Floresta Contra Incêndios. Este protocolo será válido para o ano de 2022, estando prevista uma renovação automática até ao ano de 2025, inclusive”, explicou. 

Segundo Bruno Monteiro, a constituição e manutenção desta equipa “reverte-se de especial importância para o concelho”, nomeadamente devido “às responsabilidades crescentes da câmara municipal, nas questões da Proteção Civil e da Defesa da Floresta Contra Incêndios”. Sobre a limpeza dos terrenos, por parte dos particulares, o coordenador municipal deixou um conjunto de conselhos. “O primeiro passo será perceber se, de facto, existe um risco efetivo para a habitação ou aglomerado populacional. Posteriormente, encaminha diretamente, ou através da sua junta de freguesia, através de e-mail, presencialmente, carta registada ou até por telefone, uma exposição à câmara municipal, onde deve constar a morada completa”, explicou. De seguida, a Proteção Civil Municipal, visitará o local e fará uma análise técnica, onde será emitido um parecer “de arquivamento, caso não se verifique a perigosidade. Caso exista, a partir daqui o proprietário será notificado. Caso o mesmo não cumpra com a obrigação de limpeza, decorrerá um processo de coima pelas autoridades, despoletando em dois cenários possíveis: no primeiro, o proprietário garante a limpeza; no segundo a câmara municipal substituiu-se ao proprietário, sendo-lhe imputado despesas inerentes”, referiu. 

Este processo já foi iniciado pela câmara municipal, “como solução para situações limite: de perigosidade, pelo reiterar do incumprimento sistemático ou pela ausência de ação de limpeza por parte do proprietário do terreno”

Cuidados a ter com queimas e queimadas 

Com a época de incêndios rurais à porta, Bruno Monteiro deixa um conjunto de cuidados a ter com as queimas e queimadas, em todo o ano, mas em especial nesta época. “Antes de decidir fazer uma queima ou queimada, registe-se através da internet, em icnf.queimasqueimadas ou através da APP no telemóvel: queima segura”, começou por dizer. “Não queime com tempo quente, seco ou com vento. Escolha os dias nublados e húmidos. Leve o telemóvel consigo, faça a queima acompanhado, afaste os montes a queimar dos pastos, silvados, matos ou árvores e abra uma faixa de limpeza sem vegetação à volta dos montes a queimar. Molhe a faixa de limpeza antes de iniciar a queima e tenha junto de si uma mangueira ou um recipiente com água. Faça montes pequenos, queime pouco a pouco e mantenha-se vigilante, se saltar uma faúlha, apague imediatamente. Não abandone a queima enquanto esta não estiver totalmente extinta”. Por fim, o coordenador municipal da Proteção Civil, deixa um apelo. “A minha intenção é a de que este serviço esteja cada vez mais próximo da sociedade, demonstrando o seu papel, bem como o papel conjunto a cumprir, com os cidadãos, enquanto agentes ativos de Proteção Civil. Por outro lado, quero garantir que o serviço, os agentes e parceiros presentes no território, suportados pelo contínuo apoio da presidente de câmara, continuarão a dar o melhor de si, 24 horas por dia, em prol de todos”.