O fenómeno da emigração é já antigo e são muitos os portugueses que “partiram” para o desconhecido à procura, na sua maioria, de uma vida melhor. Mas nem todos. Há também quem atravesse fronteiras à procura de uma “experiência diferente” como Aurora Miranda, ou Lola como é conhecida, que aos 22 anos foi viver para a Suíça. “Tinha um irmão a viver cá. Um dia, em conversa pelo telefone, perguntou-me se queria vir trabalhar para a Suíça e disse que sim. Trabalhava numa fábrica, estava feliz com o que fazia, mas queria experimentar algo diferente”, conta a emigrante ao Jornal A VERDADE.

Foi entre tachos e panelas, na cozinha de um restaurante, que começou. Habituada ao barulho e à inquietação normal de uma grande família, Aurora viu-se confrontada com a solidão “um pouco difícil”, mas a que se foi “habituando. No princípio não foi muito fácil. Estava numa casa cheia, éramos seis irmãos, já com cunhados e sobrinhos, sempre muita gente em casa e quando vim fiquei num quarto sozinha”, recorda.

Os primeiros meses num país com uma realidade “diferente” foram de “adaptação”, mas hoje a internet facilita o que há 32 anos era muito complicado. “Eu não tinha telefone, então tinha de ir a uma cabine telefónica para falar com a minha mãe. Agora é diferente, é melhor”, garante.

A emigrante trabalhou durante dez anos num restaurante, e há 23 anos trabalha numa lavandaria. “Gosto muito do que faço”, frisa. Aurora Miranda constituiu família naquele país, com um português de Santarém que também se encontrava emigrado. ”Conhecemo-nos na Suíça, juntamo-nos e temos uma filha com 16 anos”, conta.

Passados 32 anos, gosta “de praticamente de tudo” e apesar da ideia inicial ter sido ficar “cinco ou seis anos para juntar dinheiro”, acabou por se “habituar” ao país. Saudade é uma palavra tão portuguesa e um sentimento que a emigrante conhece bem. Vem a Portugal “duas a três vezes por ano”, porque tem saudades, “principalmente da família”.

O dia a dia de um emigrante é “diferente” do que era quando chegou à Suíça. As coisas “mudaram muito”. A rotina, essa, é “sempre a mesma. De manhã vou trabalhar, venho a casa almoçar e volto a ir para o trabalho. Às 17h00 venho para casa, faço o jantar, as coisas de casa. O meu marido tem uma horta e ao fim de semana juntamo-nos lá com o meu irmão e com outras pessoas amigas”.

No entanto, regressar a Portugal ainda é um cenário longínquo. Aos 54 anos, Aurora Miranda pensa voltar “um dia para a reforma”, porque a filha ainda está a estudar. “Quando ela terminar o curso e tiver a vida orientada, eu posso voltar”, disse.

A emigrante vive no cantão alemão, na Suíça, e partilha uma realidade com muitos outros emigrantes, que se foram fixando ao longo dos anos. A “adaptação” é o melhor conselho que Aurora Miranda pode deixar. “No princípio é um pouco difícil, mas a gente tem de tentar adaptar-se”, garante.