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Os trabalhadores da FCC Environment Portugal, em Marco de Canaveses, estão em greve de 48 horas, desde segunda-feira, dia 15 de agosto. Empresa afirma não ter margem para suportar o custo.

Estes trabalhadores exigem, entre outras medidas urgentes, o aumento geral dos salários (no mínimo de 90 euros para todos), a abertura de um processo negocial para a uniformização das regras laborais na empresa, a melhoria das condições de trabalho e o pleno respeito pelas normas de Segurança e Saúde no Trabalho, refere um comunicado do STAL – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local.

“Estamos a falar de uma empresa em que há uma distinção entre trabalhadores no subsídio de refeição. Há alguns trabalhadores aqui que estão a receber do subsídio de refeição 7,01 euros e os restantes, até maio, receberam 3,25 euros e, neste momento, estão com cinco euros, em comparação com os trabalhadores de Lousada, que estão a receber o subsídio de refeição de seis euros. Portanto, há aqui uma discriminação de trabalhadores e é por isso que nós estamos a lutar, é pelo aumento de salário, claro que sim, e pela igualdade”, afirma a coordenadora do STAL, Ana Moreira.

“O sindicato já fez contactos com a empresa no passado, em junho, para vermos as propostas de um caderno reivindicativo que os trabalhadores enviaram no dia 3 de abril, ao qual não lhe tinha sido dado resposta e, então, o sindicato entrou em contacto com a empresa para realizar uma reunião e da qual nada saiu. Vamos continuar a luta para que estes trabalhadores tenham uma vida digna porque é uma profissão insalubre também e que não tem direito ao suplemento de penosidade e insalubridade”, continua.

“Se a empresa nos quiser ouvir, nós estamos dispostos a um diálogo para chegar a um bom porto. Este já é o segundo pré-aviso de greve, o primeiro foi retirado porque a empresa tentou realizar uma reunião para entrar em acordo, que não valeu de nada, não foi benéfica”, refere o delegado sindical da FCC de Marco de Canaveses, José Teixeira.

A adesão à greve é de 100%, explicam, sendo que só um trabalhador é que se apresentou ao serviço.

O STAL e os trabalhadores exigem “um esforço maior e empenhado da empresa na resolução dos problemas há muito enunciados, como a valorização remuneratória e a dignificação profissional, no respeito pela dedicação e profissionalismo demonstrado pelos trabalhadores em prol da prestação de um serviço essencial de qualidade às populações”.

De acordo com o sindicato, cabe ao Conselho de Administração da FCC Environment Portugal “encetar um processo negocial sério com o Sindicato e os trabalhadores, que estão conscientes do impacto negativo desta paralisação na recolha dos resíduos urbanos, mas que é, única e exclusivamente, da responsabilidade da empresa”.

Em resposta ao Jornal A VERDADE, a empresa recorda que: “nos últimos anos, regista-se uma evolução do valor do salário mínimo (mais de 40% nos últimos sete anos) sem que os contratos de recolha de resíduos e limpeza urbana, onde, comprovadamente, a componente de mão de obra indexada à remuneração mínima mensal garantida (RMMG) é um fator determinante (mais de 50% do custo), tenham sido abrangidos pelos diferentes governos como suscetíveis de atualização extraordinária do preço na lei do orçamento de estado tal como, aconteceu com outros serviços de que são exemplo os serviços de refeições e limpeza”.

Desde outubro de 2021 e com “ainda maior gravidade a partir de fevereiro de 2022, devido à guerra na Europa, o custo dos combustíveis, a segunda maior componente de custo do serviço (30%) estar a ter um enorme aumento, fazendo com que o valor médio do combustível em 2022 seja superior em 30% em relação ao ano passado, sem que o decreto lei n.o 36/2022 que prevê uma atualização extraordinária dos preços dos contratos, devido à guerra e à situação excecional nas cadeias de abastecimento, tenha previsto a sua aplicabilidade a prestação de serviços, aguardando-se para tal uma portaria sem data prevista para publicação”.

As atualizações dos valores dos contratos efetuados nos últimos anos, “que tem por base a inflação, que nos últimos anos foi praticamente nula, não têm sido suficientes para compensar a forte subida dos custos de mão de obra e combustível registados, estando atualmente a FCC, assim como todas as outras empresas do setor a suportar esse aumento de custo afetando diretamente a rentabilidade e viabilidade das empresas”.

Assim, a FCC Environment sublinha que, “apesar de compreender as reivindicações dos trabalhadores não tem margem para suportar mais esse custo estando já com resultados negativos neste ano de 2022”.