“Nunca imaginei chegar aos 100 anos”. Foi esta uma das principais frases transmitidas ao Jornal A VERDADE por Maria Emília Duarte, natural de Vila Boa do Bispo, no concelho de Marco de Canaveses, que celebra esta quarta-feira, dia 2 de fevereiro, um século de vida.

Na chegada a casa de uma das suas filhas, a centenária recebeu-nos de braços abertos e de sorriso no rosto e garantiu ser pela “graça de Deus” fazer os 100 anos. “Nunca pensei, em toda a minha vida, chegar a este dia”, admitiu.

Maria Emília passa um mês em casa de cada filha e “não dá trabalho nenhum”, afirmam Fátima e Conceição, as suas duas filhas. “No inverno fica na cama até mais tarde, levanta-se junto à hora do almoço e passa a tarde a ver televisão e a rezar. Gosta muito de ver televisão e só vai para a cama quando nós vamos”, garantiram as filhas.

Trabalhou a vida toda “na lavoura” e ficou viúva aos 80 anos. “Andou um tempo em baixo, mas depois recuperou a alegria. A nossa mãe tem uma alegria muito característica e uma força muito grande de viver”, referiram as filhas.

Conceição, Maria Emília e Fátima

Tem quatro netos e nove bisnetos, sendo que a mais velha, Inês, casou em agosto de 2021. “Ela só dizia que queria chegar ao casamento da bisneta”, disseram Fátima e Conceição. E a realidade é que chegou e ajudou a fazer a festa. “Dançou e tudo”, acrescentaram.

Os bisnetos são também “uma grande alegria” na vida da centenária, com quem faz questão “de brincar. Gosto muito deles, são muito importantes”, disse Maria Emília Duarte.

Quando questionamos qual o segredo para a longevidade, as filhas responderam, entre risos e sem hesitar, que está “no copo de vinho às refeições, no café de máquina e nos dois quadradinhos de chocolate”, diários. 

A sua saúde “é rija”, tendo apenas um problema de visão. “Andou a fazer tratamentos, mas acabou por desistir porque lhe custava muito e o médico concordou, tendo em conta a idade dela”, explicaram as filhas. 

A data seria comemorada “com toda a pompa e circunstância” que merecia. Contudo, e devido à pandemia da COVID-19, a festa programada não se vai concretizar. “Já no ano passado não fizemos festa. Os netos e bisnetos vieram aqui e cantaram os parabéns da rua”, recordaram as filhas.

Apesar de não haver uma comemoração oficial, a realidade é que os 100 anos da D. Maria Emília são celebrados, por toda a família e amigos, esperando que “para o ano seja possível festejar como ela merece”.