“Quando for grande quero ser jogador de futebol”. Era esta a resposta que o jovem Luís Mota, natural de Constance, no concelho de Marco de Canaveses, dava quando, em pequeno, lhe perguntavam o que queria ser “quando fosse grande”. A verdade é que cresceu e não foi no futebol que encontrou a sua carreira de sonho, mas sim na Força Aérea.

Contudo, o caminho para chegar até aqui não foi fácil nem simples. Em entrevista ao Jornal A VERDADE, o jovem de 26 anos contou um pouco da sua experiência e partilhou o seu testemunho. 

Luís Mota é mestre em Gestão de Turismo e, apesar de ter trabalhado alguns anos na área, não se sentia completamente realizado. “Tinha, e tenho, a ambição de passar os meus dias a servir algo maior do que eu. Queria, e quero ser, de alguma forma, uma pessoa útil para o país e para a sociedade e não encontro nenhuma forma mais gratificante, mais nobre, com mais poder de propósito, do que servir o meu país através da Força Aérea. Viver e lutar por um propósito maior é o que me rege”, afirmou.

O facto de ter escolhido a Força Aérea veio, para além do seu gosto pessoal pelos aviões, por influência de um familiar, que Luís admira. “Ele é militar da Força Aérea já com um longo percurso e sempre me mostrou a realidade e os valores da instituição que sempre me agradaram. Daí a minha orgulhosa escolha”, frisou.

Até ao momento, a sua caminhada na Força Aérea é descrita como “intensa”, apesar de ainda ser curta. “Tive, durante cinco semanas, a fazer a recruta e a mesma foi muito intensa, rica de aprendizagens, potenciou um grande espírito de camaradagem e também muita superação. Sem dúvida uma experiência de uma vida”, constatou. Sobre as maiores dificuldades que enfrentou, Luís Mota não tem dúvidas que a mudança de rotina foi o mais difícil. “A nossa vida sofre uma grande mudança e nós sentimos muito isso. No entanto, vejo na mudança o futuro, no futuro a Força Aérea e na Força Aérea o propósito de uma vida. Por isso rapidamente a dificuldade se torna motivação”, acrescentou.

O interesse pela Força Aérea surgiu quando terminou o 12° ano, mas não foi neste momento que ingressou nesta área. “Decidi continuar os estudos. Foi uma decisão pela qual me arrependo nos dias de hoje, pois sinto que no final destes anos todos a Força Aérea sempre foi o caminho certo para mim.  A escolha do caminho na Força Aérea já foi traçada. Concorri para o concurso de Oficiais onde atualmente sou Aspirante a Oficial e escolhi a especialidade de Operações Aéreas (TOPS) que consiste na direção e execução de tarefas relacionadas com a gestão das operações aéreas”, explicou.

Por fim, Luís Mota deixa o conselho a jovens que, tal como ele, tenham o sonho de ingressar na área militar: “o conselho é muito simples, vão! Não atrasem o processo com incertezas ou receios. Se o sonho está lá, vão atrás dele. Costumo dizer que o segredo de uma boa vida é servir os outros, não há nada mais gratificante do que saber que vivemos a vida em prol de uma missão muito maior que nós.  Há um poema de Rabindranath Tagore que nos diz: ‘A primavera passou. O Verão sumiu-se. O inverno chegou. A canção que eu queria cantar continua muda. Pois tenho passado os dias a encordoar e a desencordoar o meu instrumento’. Mais uma vez, fica o conselho, não atrasem, não receiem, não procrastinem. Vão e vivam. A Força Aérea é uma bonita e poderosa forma de bem servir e bem viver”, concluiu.