Germano Caetano é de Tuías, Marco de Canaveses, e aprendeu com o avô algumas técnicas para ajudar no trabalho da agricultura. Entre elas estão os tradicionais almanaques que ajudam a planear as culturas e as sementeiras ao longo do ano.

Os almanaques, o “Borda D’Água” e o “Seringador” são algumas das mais antigas publicações periódicas em Portugal e apresentam prognósticos para o ano, conselhos práticos baseados na sabedoria popular, na ciência e na astrologia, bem como previsões meteorológicas, previsões para a agricultura, sementeiras, fases da lua, informações sobre o mar e as marés, calendário e efemérides.

“O meu falecido avô é que utilizava muito isto. Era por isto que se orientava. Na altura, não havia telemóveis”, lembra Germano Caetano, referindo que já se guia por estas publicações há cerca de 20 anos. Apesar de ter apenas a terceira classe, afirmou que o avô era “um sábio” e sabia muito bem interpretar o que lia nessas indicações.

Há alguns anos que tem dedicado mais algum tempo à agricultura, no terreno que tem em casa, e é pelo “Borda D’Água” que vai vendo o que deve plantar em cada altura. “Há certas coisas que uma pessoa vai aprendendo aqui”, acrescenta, destacando que o que está lá escrito “não foge muito da realidade” e que prefere o “Borda D’Água” por considerar “mais completo”. Além das previsões do tempo, tem ainda o horóscopo e as luas.

Também a sua esposa se guia por estas publicações, vendendo inclusive almanaques às colegas de trabalho, mas já a filha “não quer saber de nada disto”.

Germano Caetano acredita que “ainda há muita gente a comprar”, principalmente, “os mais antigos”, mas tem vindo a diminuir o seu uso. “Agora há outras ferramentas mais sofisticadas”, como o telemóvel, onde se podem pesquisar diversos temas, remata.