Fevereiro de 2011, nascia na freguesia de Banho e Carvalhosa, o Centro Social e Paroquial de São Romão de Carvalhosa. 11 anos depois, José Carlos Coelho, diretor pedagógico do centro, esteve à conversa com o Jornal A VERDADE, para fazer um balanço destes anos da instituição.

“Foi preciso dar a conhecer a instituição, não só às pessoas da terra, como também de fora da freguesia e do concelho. Fomos bater porta à porta, fazer um trabalho de prospeção a outras instâncias de saúde, como os centros de saúde, hospitais… Fizemos também um trabalho de divulgação de campo com as juntas de freguesia, que vieram aqui ver as instalações”, recordou.

O Centro Social de Carvalhosa conta com as valências de Centro de Dia, Creche e Apoio Domiciliário. “Temos cerca de 150 utentes, nas três valências. A creche tem tido uma procura imensa, nomeadamente nestes últimos anos, devido aos apoios dados pelo Governo”, explicou.

No que respeita ao Apoio Domiciliário, este é dado à semana, mas também ao fim de semana. “É o chamado projeto ‘Dar Mais’. Não temos comparticipação estatal, ainda, o projeto é financiado através de eventos de angariação de fundos. Damos apoio a cerca de 30 pessoas, que mais necessitam. Trabalhamos com higiene pessoal mas, sobretudo, com alimentação. Pontualmente fazemos também rondas solidárias noturnas, nomeadamente em tempos de muito frio ou muito calor, para saber em que condições as pessoas dormem, como é que elas se aquecem e para acautelar alguns perigos”, descreveu.

José Carlos Pereira recordou um episódio passado com uma das utentes. “Uma senhora tinha um ferro de engomar ligado no meio dos lençóis. Vivia numa casa com condições muito precárias, sinalizamos o caso e conseguimos equipar a casa”, explicou.

De acordo com o diretor pedagógico, o papel do centro social é o de ajudar os idosos. “Não basta só o fármaco, é preciso estar bem na parte social. O fármaco ajuda a pessoa, mas a nível social é importante evitar o isolamento, integrá-los socialmente, para não estarem sozinhos. Os idosos que vêm para aqui, passado uma semana, já são outra pessoa, com uma cara renovada. Mesmo com pouco apetite, acabam sempre por se alimentar, com uma alimentação rica e cuidada”, disse, acrescentando que o centro de dia, do Centro Social e Paroquial de São Romão de Carvalhosa “está, desde as suas origens, ligado ao lazer e não a um ambiente hospitalar. Até pelas nossas fardas, em vários sítios vemos o branco, aqui não, usamos cores vivas para alegrar os nossos idosos”.

Uma das vertentes que faz com que este centro social se destaque são as várias atividades dedicadas aos mais idosos. “Não fazemos crochê ou desenhos, apenas. Levamos os nossos idosos a passear de barco, a andar de jipe ou a andar de kart, ou até jogar paintball. São atividades diferentes que fazem com que eles se sintam vivos. Eles gostam de experimentar, é uma forma de terem tema de conversa depois entre eles”, defende.

Redes Sociais são “veículo” para mostrar trabalho do centro social 

O Centro Social e Paroquial de São Romão de Carvalhosa tem uma presença forte e assídua nas redes sociais, transmitindo, através do Facebook e, mais recentemente, do TikTok, as várias atividades desenvolvidas. “Apostamos também nessa área. Delicio-me a ver os nossos idosos e as nossas crianças. Agora também participam nos vídeos do TikTok e eles acham piada”, referiu.

Os últimos dois anos de pandemia da COVID-19 foram “difíceis” para a instituição, não só pelo impedimento de realizar atividades, mas também pela perda de “utentes emblemáticos. É um tempo que não se recupera. Foi muito difícil perdermos aquelas pessoas que fizeram parte do nosso dia a dia durante tanto tempo”.

Depois, a questão do distanciamento social foi também “difícil”, quer para os utentes, quer para os funcionários. “Somos pessoas de abraço e o facto de estarmos impedidos de abraçar e beijar foi também difícil”, admitiu.

José Carlos Coelho deixou também uma mensagem a toda a equipa que é “liberta, livre e feliz” para levar o melhor aos utentes. “Lutamos por esta equipa e tenho de deixar o agradecimento porque são incríveis e muito empenhados. Pessoas de uma alma grande, fazem voluntariado à noite, em recolhas de supermercado… É uma equipa que admiro pela entrega ao longo destes 10 anos”.