Beatriz Teixeira é natural do concelho de Marco de Canaveses e tinha 14 anos quando descobriu que ia dar vida a um novo ser. A reação inicial foi de “medo”, mas hoje acredita que ser mãe é “a melhor sensação do mundo”.

“Quando descobri que estava grávida foi um bocadinho um choque grande porque tinha 14 anos e não podia dizer aos meus pais naquele momento e tinha muito medo”, conta ao Jornal A VERDADE.

Em conversa com o namorado, a decisão foi de avançarem juntos para este grande passo na vida dos dois. “Se cometemos o ‘erro’, também tínhamos a capacidade de assumir a responsabilidade. Assumimos, pensamos duas vezes e seguimos em frente”, afirma.

Durante seis meses, a jovem conseguiu esconder a gravidez dos pais, usando roupas mais largas e também porque a barriga “mal se notava”. “Andava sempre stressada porque pensava que a minha mãe ia expulsar-me de casa e que ia ficar chateada, que nunca mais ia falar comigo”, disse.

No entanto, um dia, a mãe de Beatriz encontrou o seu “livrinho de grávida”. “A minha mãe ligou-me a dizer que precisava de falar comigo a dizer que era urgente e eu pensei que tivesse feito alguma coisa demais. Cheguei a casa e ela disse: «Então, porquê que não me contaste que estavas grávida?». E eu disse que tinha muito medo. O meu pai agarrou-se a mim a chorar e disse que podia ter contado com ele para tudo porque passar por uma gravidez sozinha não é fácil. Mas eles aceitaram bem”, descreve.

Aliviada e “mais confiante” por ter contado, já “tinha o apoio de alguém”. “Apesar de saber que ia ouvir muitos comentários que não ia gostar, tinha-os lá para me apoiar”, lembra, referindo que a família do namorado também apoiou-a “super bem”, mas que os seus familiares “tinham muito medo” que prejudicasse os estudos.

O namorado foi trabalhar com 17 anos, mal souberam que iam ser pais, mas Beatriz Teixeira continuou a estudar e terminou o 12.º ano. Alguns alunos da escola faziam “muitos comentários desnecessários”, mas a jovem contou sempre com o apoio do namorado e dos amigos e ainda com a compreensão dos professores.

Um dos grandes medos de Beatriz era também o parto. “Toda a gente me dizia que o parto era a pior coisa do mundo, então, meti isso na cabeça e pensava que ia ser horrível e doloroso”, recorda, explicando, contudo, que, na realidade, “durante o parto, foram todos muito atenciosos e disseram que tinha sido uma grande mulher”.

Hoje em dia, aos 19 anos, a jovem garante: “Foi a melhor sensação do mundo”. “É muito bom porque posso aproveitar mais o tempo com ela, tenho paciência para brincar com ela. Sendo mais velha, se calhar, não tinha tanta paciência. É muito bom e acho que futuramente também vai ser porque ela vai ter uma mãe jovem e acho que vou conseguir percebê-la melhor e tentar falar melhor com ela”, acredita.

A sua mãe é “como se fosse a segunda mãe dela”, pois sempre ajudou a tomar conta da menina que agora tem quatro anos. “Graças à minha mãe, consegui fazer a minha vida normalmente”, sublinha.

Texto redigido com o apoio de Ana Ferrás, aluna estagiária da Universidade Fernando Pessoa.