O dia 15 de abril de 2021 foi o renascer de um novo “eu” para Pedro Mota que aos 42 anos e com 160kg decidiu mudar de vida por completo. “Chega um dia em que sentimos que caímos no fundo e que temos de fazer algo por nós. Aquele já não era eu”, explica Pedro Mota ao Jornal A VERDADE o momento que o levou a “procurar ajuda médica” para a mudança.

Depois de “várias pesquisas” sobre opções de tratamento, e com aconselhamento indicado, tomou a decisão de avançar para a cirurgia bariátrica (colocação do bypass gástrico). Conhecida, popularmente, como cirurgia de redução de estômago, a cirurgia bariátrica (ou gastroplastia) é uma das alternativas para o tratamento de pacientes que sofrem com a obesidade de grau III cujo IMC (índice de massa corporal) é maior do que 40.

Aos 20 anos Pedro Mota era atleta de natação pura, foi também jogador do polo aquático “durante uns anos”, mas com a vida deixou de praticar desporto e adquirir hábitos “mais sedentários”. Os “exageros” nos convívios com os amigos contribuíram também para “a bola de neve” que foi o aumento do peso. “Pensamos sempre que amanhã vamos emagrecer, mas depois é na semana seguinte, no ano a seguir e quando damos conta já estamos com excesso de peso”

Por ser a cara e professor num projeto que “trabalha para a saúde e bem-estar físico e mental”, confessa já ter sido “alvo de preconceito. Às vezes ficava um bocadinho triste”. Agora com menos de 100kg, recuou 20 anos no tempo e voltou “ao que era antes, com um novo eu”. Antes da cirurgia tinha “alguns problemas de saúde” associados ao excesso de peso, “como a diabetes tipo 2, tensões altas, colesterol elevado e tomava medicação diária”. A partir daquele dia tudo isso “ficou para trás” e hoje, o exercício físico é a única “medicação” na vida de Pedro Mota.

O “novo eu”, agora com menos 60kg, é motivador e exige mudanças no estilo de vida e na alimentação. Como nos explica, a cirurgia é uma ferramenta que “ajuda a controlar a parte psicológica, que é muito importante”, mas também a ter hábitos de alimentação “muito mais saudáveis e controlados. Tornou-se um estilo de vida desde que acordo até que me deito”, sublinha.

A vida social sempre esteve presente na vida de Pedro Mota, mas “algumas atividades eram difíceis de fazer”. Neste momento, “é muito mais fácil e há uma maior disponibilidade física” para as realizar. A prática do exercício físico é “regular com ginásio e cycling indoor cerca de três vezes por semana e ciclismo e caminhada duas vezes por semana”.

No seu trabalho diário, Pedro Mota mantém uma relação “muito próxima” com os alunos que o veem como um exemplo a seguir. “Tive uma aluna que disse que não me reconhecia e que estava a pensar em fazer o mesmo”. A essa aluna e a todas as pessoas que conhecem de perto a obesidade o professor aconselha a emagrecer “sem precisar de recorrer à cirurgia”, mas se não houver outra opção devem optar por essa opção que “muda a vida. Tornamo-nos outras pessoas. Vão em frente porque é uma vida nova, um renascer completo de nós próprios”, finaliza. 

A obesidade é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “uma doença na qual a acumulação anormal e excessiva de gordura no corpo é suscetível de prejudicar a saúde”.