Há vários anos que o município de Lousada tem vindo a desenvolver esforços no sentido de diminuir a prostituição numa zona florestal da freguesia de Lustosa. São vários os acidentes que têm ocorrido no local devido a manobras perigosas de clientes que passam pelo local.

Trata-se de uma via de circulação rápida, onde tem havido uma “série de acidentes – e inclusive mortes – muito devido à questão da prostituição, porque as senhoras estavam lá à face da estrada e o trânsito normal confundia-se com o trânsito dos clientes, que é em marcha lenta, que entravam e saíam do meio das matas e já aconteceram varias tragédias”, refere o vereador Nelson Oliveira ao Jornal A VERDADE.

“Aquela zona sempre foi de floresta e muito concorrida para prostituição, como existem muitas outras em muitos outros concelhos e que é difícil de circunscrever aquela situação ou até acabar. Portanto, a nossa questão não é, de todo, acabar. Aliás, se legalizássemos, de uma vez por todas, esta situação, que é isso que se pretenderia, acho que conseguiríamos solucionar muitas destas situações, porque, a partir daí, como estava regulamentada, havia locais específicos para se poder praticar a prostituição e ponto final”, defende.

Em abril de 2021, o município de Lousada, em conjunto com a GNR, criou novas medidas para tentar travar a prostituição neste local. Em dezembro, as medidas foram reforçadas e, segundo o vereador, houve “uma redução bastante acentuada” de pessoas a prostituir-se no local.

Na altura, foram abertas valas nos terrenos, com a ajuda dos bombeiros e concordância dos proprietários, “para impedir o acesso às matas para os veículos ligeiros”. Além disso, aproveitando “a questão do COVID, em que era proibida a circulação de pessoas”, a GNR passou também algumas multas.

“Não andamos a abrir valas em toda a área florestal. Abrimos naquela onde havia maior circulação de carros e nas áreas adjacentes não. Aliás, muitas delas estão nessas áreas adjacentes hoje em dia, outras desistiram de vez. Efetivamente, houve uma diminuição do número de pessoas a prostituir-se, uma redução bastante acentuada; outras que resistiram e foram para outros locais perto; uma outra mais afincada que até tapou as valas ela própria e fomos abrir novamente e manteremos sempre esta situação, em total acordo com a GNR e também com os bombeiros”, explica.

“Não queremos penalizar ninguém, ou seja, o objetivo do município não é penalizar, mas, sim, regrar o que se passava naquela via de trânsito”, afirma, lembrando que, antes dessas medidas, “houve uma ação do pelouro da Ação Social para apoiar as pessoas e nenhuma delas quis”

“Não contem connosco para fingir que isto não existe! Existindo, somos os primeiros defensores de que deve ser regulamentado, as pessoas devem ser apoiadas, ajudadas, se quiserem sair desta vida, ou, se quiserem manter, que cumpram determinadas regras que sejam feitas. Mas também não podemos assistir, impávidos e serenos, a estes acontecimentos, a estes acidentes de pessoas que não têm nada a ver com aquilo, que morrem, como já aconteceu”, conclui o vereador.