Ser investigadora sempre foi uma “ambição” de Liliana Mendes, que em 2019 viu a dedicação à área ser distinguida com o prémio “Saúde e Bem-estar” na 9.ª edição do concurso Montepio Acredita Portugal. O projeto de reabilitação, “que envolvia novas tecnologias e realidade virtual”, foi distinguido entre as mais de 10 mil candidaturas ao concurso. 

Com formação em psicologia, realizou o mestrado em psicologia da saúde em Lyon, França, país que lhe proporcionou “outras oportunidades” e que apostava “noutras áreas de investigação”.

Seguiu-se o doutoramento em psicologia na Universidade do Porto, mais concretamente em neuropsicologia. “Fiz uma plataforma de realidade virtual, apliquei a pessoas com lesões cerebrais e os resultados foram muito bons. É nisso que me estou a concentrar atualmente, aplicar a realidade virtual à reabilitação de pessoas com lesões cerebrais”, explica em entrevista ao Jornal A VERDADE.

“É difícil haver investimento”

Atualmente docente universitária, investigadora e psicóloga, não tem filhos mas garante que foi “uma opção pessoal. Não penso que seja um problema conciliar o emprego com a maternidade”.

O “grande” problema, para Liliana Mendes, prende-se com as “oportunidades” que são dadas para fazer investigação. “Nesse aspeto, sim é difícil. E, por isso, é que muitos procuram oportunidades além fronteiras. É mais fácil, sem dúvida”, sublinha.

As tentativas para concorrer a bolsas em diferentes áreas de investigação são “várias”, mas é “difícil haver investimento. Há muita gente a tentar obter financiamento através dessas bolsas. Na realidade não é fácil ser investigador em Portugal”, garante a investigadora.

No entanto, apesar do “pouco investimento” das empresas, reconhece que “o governo se tem esforçado para investir nessa área”.

Igualdade de oportunidades na investigação

Ao contrário de outras realidades profissionais e testemunhos que se tornam públicos, Liliana Mendes afirma que “nunca” sentiu desigualdade na investigação. “Nunca senti que por ser mulher me fossem retiradas oportunidades no mercado de trabalho, mas também porque sempre marquei a minha posição e sempre investi em áreas muito diferentes, muito pouco investigadas”, garante.

Psicologia, investigação e novas tecnologias

O futuro da investigadora de Amarante será dedicado à investigação que alia a tecnologia à intervenção neuro cognitiva e psicológica, nomeadamente no envelhecimento normal e no envelhecimento com algum tipo de patologia. “É esse o meu investimento”, afirma.

O mau uso da tecnologia tem sido debatido em diferentes esferas profissionais, mas Liliana Mendes comprova que no caso da investigação “pode ser uma aliada para a saúde. A realidade virtual ajuda muito pessoas que têm limitações cognitivas, motoras e até psicológicas”.