Kateryna Sotnyk tem ou tinha uma casa em Zaporizhia, na Ucrânia, numa das regiões que foi anexada e que a partir desta sexta-feira, 30 de setembro, se tornou parte da Federação Russa.

A mulher de 40 anos esteve refugiada em Portugal, e atualmente encontra-se em Inglaterra com o sentimento de que é “perigoso” voltar ao seu país.

Recorde-se que Rússia formalizou esta sexta-feira a anexação de quatro regiões ucranianas – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhia -, após a realização de referendos junto da população local, considerados já ilegais por grande parte da comunidade internacional, e também pela nossa entrevistada, Kateryna Sotnyk.

“O referendo é ilegal e condicionado por armas. Os direitos humanos não existem, ninguém vai a um centro votar, eles dirigem-se a casa dos cidadãos acompanhados por pessoas armadas. Quem pensa em votar contra, tem medo, porque pode estar entre a vida e a morte”, conta.

Desde que Kateryna saiu da Ucrânia que a sua casa servia refugiados ucranianos de Mariupol “que se protegiam da guerra, mas de repente este território também já não é seguro”.

Kateryna vê-se agora obrigada a ceder a sua casa, sem nada poder fazer, porque “não dá para vender. Os russos ou vão destruir as nossas casas ou vão viver nelas”.

Kateryna recorda com amargura a época em que a sua cidade era segura. “Quando passeávamos pelas ruas ucranianas, viajávamos nos nossos comboios e frequentávamos restaurantes do nosso país… agora, pisar o território é perigoso e pode significar perder a vida”, acrescenta.

Acima de tudo, o sentimento que predomina é “o de perda e não ter para onde regressar. Perdi a minha casa, o meu território e o meu país”.

Kateryna

Sotnyk conta ainda que o dia 30 de setembro ficará marcado na cidade de Zaporizhia como “o dia do luto”, já que “uma coluna humanitária que se dirigia para aquele território foi atacada. Os russos não tinham o direito de abrir fogo, acabaram por morrer 23 pessoas”, diz ao Jornal A VERDADE.

A NATO considerou já esta anexação “ilegítima” e promete mais apoio à Ucrânia. “Donetsk é Ucrânia. Lugansk é Ucrânia. Kherson é Ucrânia. Zaporizhia é Ucrânia. Tal como a Crimeia”, declarou Jens Stoltenberg, secretário-geral desta organização. “Esta é a segunda vez que a Rússia toma à força territórios ucranianos. Mas isto não muda a natureza do conflito. Continua a ser uma guerra agressiva e brutal da Rússia”, referiu.

Sobre a anexação, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que “Kiev irá pedir adesão à NATO num processo acelerado”, acrescentando que “a Ucrânia não vai negociar com a Rússia enquanto Putin for presidente da Federação Russa. Só negociamos com o novo presidente”.

Pode ainda ler esta reportagem: “Da Ucrânia a Portugal, Kateryna enfrentou sete cidades”.