Rodrigo Cardoso é natural de Cinfães, um “meio muito musical” e onde desde cedo teve “muito contacto com a música”. Ouvir música clássica com o avô no carro era uma constante e, hoje, aos 24 anos, viu a sua peça tocada na Sala Suggia, na Casa da Música, no Porto, na final do IX Concurso Nacional de Composição da Banda Sinfónica Portuguesa.

Com “Auge” levou para casa o segundo prémio, mas também a perceção de que o seu trabalho “tem conteúdo, tem valor”. “É sempre encorajador, porque estamos a falar de arte, que é sempre um campo subjetivo”, comentou ao Jornal A VERDADE, referindo que esta distinção, “ao mesmo tempo, é algo que pode potenciar a carreira porque adiciona currículo”.

Foto: Maria Inês Alves

O gosto pela música esteve sempre presente, tendo passado pela “escolinha da banda”, que o cativou a estudar a área, seguindo depois para a Academia de Música de Castelo de Paiva, onde decidiu “mesmo estudar música a sério”. A participação neste concurso surgiu no âmbito do mestrado que estava a frequentar no Reino Unido e “Auge” foi escrita especificamente para concorrer.

“Acima de tudo, para mim, o mais importante foi ter a peça tocada. A partitura é uma possibilidade do que a música poderá ser. O grande prémio é ter a música tocada. É incrível ver algo que escrevemos a materializar-se”, sublinhou, lembrando que uma peça para orquestra “é diferente” e “difícil de ser tocada”. O jovem destacou ainda o facto de ter sido tocada por músicos profissionais, numa sala de renome para quem é da área.

Foto: Maria Inês Alves

A ambição para os próximos tempos passa mesmo por aí: “começar a escrever música, criar espaço para que elas sejam tocadas e divulgadas” para que “as oportunidades continuem a surgir”. Atualmente, Rodrigo Cardoso, além de participar em alguns projetos, é professor de Composição Musical na Escola de Artes em Movimento, em Alvalade.

Num momento em que acredita que “a cultura está em crise”, o jovem apela a que “invistam na cultura, o potencial da cultura é imenso, não é só na música”. “Levem a cultura às crianças”, apelou, defendendo a criação de um plano nacional para as várias vertentes da cultura tal como existe para a leitura.