Depois de um interregno de 12 anos, o Partido Social Democrata (PSD) voltou ao poder autárquico pelas mãos de José Rocha, o atual presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva.

Os 958 votos de diferença (8,77%) para o Partido Socialista (PS) confirmaram “a necessidade de mudança que íamos sentindo junto da população”, garantiu o autarca eleito a 26 de setembro de 2021.

José Rocha já havia sido candidato nas eleições de 2017, mas a vontade “de contribuir” para a terra que o viu “nascer e crescer e perceber as necessidades que eram pedidas pelos munícipes” foram a motivação para a recandidatura em 2021.

Nesta reviravolta, o autarca trouxe “uma visão diferente de ver a política e que proporciona um maior desenvolvimento de Castelo de Paiva. Sou do PSD, mas acho que não pode haver uma discriminação partidária. Temos de trabalhar com todos os paivenses, independentemente da ideologia política. Não criamos barreiras que não são necessárias”, sublinha.

A ligação a Castelo de Paiva “vem desde sempre” e viu no conhecimento adquirido no setor empresarial “uma forma de ajudar a gerir melhor o concelho e a conseguir atingir outro patamar que temos todas as possibilidades de conseguir”.

Para a condução do presente mandato, José Rocha trouxe também “o rigor imprimido na gestão dos serviços municipais. Temos de ser exigentes para conseguir a colaboração de todos e reconheço o esforço de todos os funcionários municipais, que têm estado sempre disponíveis para melhorar”, frisa.

Saneamento, indústria e habitação social são as prioridades do executivo

Castelo de Paiva é considerado um concelho de interior, mas para José Rocha essa caracterização “não pode justificar tudo”, dando o exemplo do saneamento, que se assume “como uma das prioridades” do atual executivo. “Temos de deixar de estar na cauda do que são os índices de cobertura de saneamento. Neste momento, Castelo de Paiva é um dos últimos concelhos, com cerca de 18% de cobertura”, descreveu.

O autarca realça também a necessidade de criar zonas industriais, “uma vez que a última foi construída em 1999. Temos empresas com vontade de se fixar no concelho, mas não temos os terrenos industriais”. Criando as condições para a instalação das empresas, José Rocha aponta para a criação de emprego e fixação da população no concelho. “Mas para as pessoas se fixarem têm de existir terrenos para construir as indústrias”.

A proximidade à Área Metropolitana do Porto, pode afirmar-se como uma vantagem para as empresas, “que encontram em Castelo de Paiva uma oferta a preços mais atrativos. Temos uma política de não aplicar a taxa de derrama, para cativar e fazer com que as empresas olhem para nós como uma solução, para a instalação das suas infraestruturas e fábricas. Temos de pensar de uma forma empresarial no que é a fixação de empresas. Não podemos pensar só no imediato”, acrescenta.

Necessidades que se estendem, ainda, à habitação social “que não apresenta qualquer registo de construção desde os últimos 12 anos. Não houve a criação de lotes a preços controlados e, por isso, há muito essa necessidade, porque muitas pessoas deixam Castelo de Paiva e vão para os concelhos vizinhos”.

Apesar das dificuldades financeiras inerentes, “e não conseguindo alocar esses investimentos”, o executivo espera que o Portugal 2030 “traga soluções e fundos para colmatar essas necessidades”.

“É necessário reabilitar e dar visibilidade ao património natural”

Conhecendo “bem de perto” todas as potencialidades de Castelo de Paiva, o autarca entende que “é necessário haver mais empenho para cativar investimentos importantes, conseguir reabilitar e dar visibilidade ao património natural. Com a chegada da pandemia percebemos que houve uma maior procura pelo alojamento local e rural, porque as pessoas preferem, cada vez mais, regiões com um maior contacto com a natureza”, sublinha. Uma procura, segundo José Rocha, também sentida no concelho, que registou, em 2019, 42 mil dormidas anuais, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE)0. “Um número significativo quando apenas existem duas unidades hoteleiras em Castelo de Paiva”.

No entanto, a oferta de alojamento deve, na visão do autarca, “aumentar para conseguir cativar todos aqueles que procuram o alojamento e se sintam cativados a conhecer o concelho. Percebemos que as pessoas ficam a pernoitar, mas não conseguimos ver esse movimento em Castelo de Paiva. Há uma necessidade de termos algo para oferecer”

O produto turístico do concelho, Ilha do Castelo, apelidada de Ilha dos Amores, e o Monte de São Domingos, “é muito redutor” para quem visita Castelo de Paiva “e é um desperdício não aproveitar todo esse potencial natural”, frisa.

Os rios Douro, Paiva, Arda e Sardoura são “um atrativo do concelho”, mas a requalificação dos equipamentos turísticos e desportivos “são uma necessidade muito grande, dado o estado de degradação em que se encontram”.

José Rocha reconhece que tem havido uma maior atenção para com a região, “mas tem de haver, cada vez mais, uma discriminação positiva para com as regiões do interior. Precisamos de pensar em factos diferenciadores, porque corremos o risco de daqui a 20 anos termos um Portugal que se centra só no litoral”.

O concelho de Castelo de Paiva está inserido na Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa “que representa quase 500 mil pessoas. Se analisarmos a distribuição de verbas pelas várias CIM’s, a nossa é das que menos verba tem alocado do que são os fundos comunitários. Tem de haver um critério, por habitante e dimensão”, frisa o autarca.

No entanto, José Rocha realça a solidariedade que existe entre os 11 municípios que compõem a CIM do Tâmega e Sousa. “Temos concelhos a várias velocidades, mas estou certo de que haverá disponibilidade para nos ajudarmos”, disse. 

Melhoria nas redes viárias contribui para o desenvolvimento de Castelo de Paiva

Todas as potencialidades que a Câmara Municipal de Castelo de Paiva pretende desenvolver no concelho, poderão ser reforçadas com a melhoria das redes viárias. “A proximidade aos grandes centros, as ligações rodoviárias e a concretização da variante à estrada nacional 222 à A32, bem como a ligação IC35 a Penafiel, são fundamentais para o desenvolvimento de Castelo de Paiva”. É uma certeza para o autarca que realça, para além da praticidade das obras, “a facilidade de locomoção da população para as unidades hospitalares. Temos de ter uma preocupação no que é servir a população ao nível da saúde. Temos o Hospital Padre Américo, que se encontra a 20 quilómetros, mas em horas de ponta torna-se muito complicado lá chegar e em questões de saúde o tempo conta muito e salva vidas. Quanto ao Hospital São Sebastião, situado na parte sul do concelho, também temos essa dificuldade, no que diz respeito à ligação da variante à estrada nacional 222 à A32, estamos a falar de nove quilómetros que felizmente constam no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.

José Rocha espera que as ligações do IC35 e da A32 estejam “para breve e que o Governo possa cumprir este anseio já antigo da população”.

“Castelo de Paiva é o melhor concelho do mundo”

O concelho de Castelo de Paiva tem, nas palavras de José Rocha, “muitas potencialidades, ao nível industrial e turístico, mas também pela proximidade aos grandes centros”. Embora “suspeito por ser um filho da terra”, o autarca considera o “melhor concelho do mundo”

Mas o que diferencia a região para que as pessoas visitem ou se fixem em Castelo de Paiva? José Rocha não tem dúvidas de que, “para além de todas essas potencialidades, é um concelho que tem muita qualidade de vida. Temos a natureza, os rios, conseguimos ter um complemento para as famílias se poderem fixar. Temos uma boa cobertura de creche, a preços muito mais atrativos para quem quiser formar família no concelho”. Continua salientando “o contacto muito mais próximo com os munícipes”. 

Estando num eixo de interseção entre vários concelhos, Castelo de Paiva “pode ser uma possibilidade de habitação para quem trabalha fora, porque consegue ter uma qualidade de vida superior”.

Apesar das “limitações do município, principalmente, ao nível financeiro”, José Rocha espera ver Castelo de Paiva “como um destino empresarial, turístico, de habitação, como uma realidade mais acentuada”

O orçamento “é reduzido para tantas necessidades”, mas o executivo está a dar “os primeiros passos. Na habitação social já começamos a adquirir os primeiros terrenos para a execução do que será a estratégia local de habitação. No início do próximo ano vamos lançar o concurso para a reabilitação de 36 casas do município, para que a população tenha condições dignas de habitabilidade. Ao nível industrial estamos a proceder à identificação de locais, que serão posteriormente adquiridos, para que no Portugal 2030 haja financiamento para a criação das infraestruturas industriais”.

Ao nível do turismo, o município já procedeu a “pequenas intervenções na zona do Castelo. Tivemos a abertura do núcleo de experiências turísticas e estamos a ver a possibilidade de certificação de praias fluviais. Não temos nenhuma e estas duas e mais uma no Paiva serão o nosso objetivo dentro de três anos”.

As prioridades do executivo estão também direcionadas para o ambiente, área em que foi lançado um concurso internacional para a aquisição de um camião de recolha do lixo já com equipamento de lavagem automática dos contentores. “Para além disso, os equipamentos municipais têm de ser reabilitados, nomeadamente ao que aos desperdícios de água diz respeito. Estamos com cerca de 60% de perdas de água e apenas 40% é faturado. Isso obriga-nos a ter muito trabalho de proximidade”.

O autarca não esquece ainda a tradição da indústria do calçado no concelho e reconhece que “não se pode perder a experiência e o know-how” que ainda existe.

José Rocha destaca “o esforço conjunto” entre todas as valências, para que Castelo de Paiva “possa ser uma marca no território do Tâmega e Sousa, no norte e no país”.

O autarca termina afirmando que o executivo irá “insistir numa discriminação positiva para o concelho de Castelo de Paiva, para que a população possa ter a mesma qualidade de vida que têm as pessoas de concelhos vizinhos”.