"Nós somos médicos menos seis" foi a frase que José Eduardo Torres ouviu quando chegou à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Entrar foi o mais "difícil", agora é "continuar o caminho".
Nos primeiros dias, pisar a FMUP era uma "emoção tão grande" que José Eduardo Torres ficava de lágrimas nos olhos. "É muito bom acordar todos os dias, entrar pela porta do hospital e dizer 'estou aqui, estou onde queria e sou muito feliz'. Estou cada vez mais próximo de chegar ao sonho".
Atualmente, ser médico cirurgião parece ser a escolha mais acertada para José Eduardo Torres. "Gosto das áreas cirúrgicas pelo facto de meter as mãos na massa e ter um impacto direto, mas também gosto da parte cardiovascular e plástica". Para dar um primeiro passo neste sentido, o jovem procurou atingir uma média alta e acabou por se tornar num dos melhores alunos da Escola Secundária de Freamunde. Valores que o levaram até à FMUP e à cidade do Porto. "Foi uma decisão tomada em família, mas eu queria vir viver para aqui para poder aproveitar, estudar e estar mais próximo. É também um processo para crescer e começar a criar alguma independência. Acho muito exaustivo um estudante ter de acordar uma ou duas horas mais cedo para apanhar o autocarro e fazer a mesma viagem no final do dia. Eu gosto muito de estar cá, apesar de ter saudades de casa".
A par do curso, José Eduardo Torres ambiciona participar em oportunidades de voluntariado a nível internacional. "Quero começar a dar pequenos passos na ajuda humanitária, por exemplo, nos Médicos Sem Fronteiras". Para o jovem, natural da Arreigada, concelho de Paços de Ferreira, nunca foi opção pensar apenas no currículo. "Precisamos de desenvolver o espírito crítico. Não seria a pessoa que sou hoje se não fossem essas atividades, não podemos estar só focados no currículo", defende. José Eduardo Torres praticou natação e ginásio e participou em projetos da amnistia internacional, juventude partidária, ERASMUS, parlamento de jovens, entre outros.

Consciente do longo percurso que tem, o jovem de 18 anos ambiciona especializar-se em Portugal, exercer a prática clínica no Porto e vir a dar aulas na faculdade. "Gostava de desenvolver uma carreira de educação e de transmissão de conhecimento".
Quando se fala do secundário, José Eduardo recorda os momentos que passou com os colegas. "Deixa-me muitas saudades, fomos a Espanha de ERASMUS e deu para criar laços de uma forma inexplicável. Foram estas experiências únicas que me fizeram desenvolver certas competências que são uma mais valia".
Ser "curioso" é uma capacidade intrínseca, por isso, estudar "nunca foi difícil. Sempre gostei de estudar, a chave para o sucesso é mesmo a organização e ter um método de estudo definido, preparar com antecedência, mostrar curiosidade e, muitas portas, vão abrir-se graças a esse espírito".
Aos jovens deixa um conselho final: "agarrem estas oportunidades porque elas passam, para nós crescermos enquanto pessoas e sermos melhores não é suficiente só estudar. Há outras competências que estão fora que são muito importantes".
