A Deep Web é uma parte da internet onde se encontram todos os sites da internet que não se podem encontrar nos motores de busca, ditos normais. Integra informação online escondida por palavras-passe ou que apenas pode ser acedida através de software específico.

O público em geral é, hoje, capaz de reconhecer este nome em conversas ou na televisão, no entanto, há um desconhecimento sobre este tipo de navegação online. As pessoas veem na Deep Web uma forma de encontrar tudo aquilo que possam ser considerados como “conteúdos perigosos, sites de pornografia infantil, de tráfico de armas ou drogas são alguns exemplos“.

Em conversa com o Jornal A VERDADE o ex-utilizador “João”, que prefere manter o anonimato, descreve a Deep Web como sendo “tudo o que não consegue ser encontrado a partir do google, ou seja tudo aquilo que se esconde debaixo da internet normal”, onde se encontram conteúdos “restritos, apenas acedidos através de browers específicos e especializados”.

Aprofundando o tema, “João” explica que é a partir do Tor Browser, “o mais usado pela maioria das pessoas”, que se encontram ligações para a deep web. “Na página inicial do Tor há uma barra com alguns sites, porque os links utilizados na deep web são um conjunto de cateteres aleatórios”. E é a partir de browsers como este que os utilizadores podem procurar o que querem, “desde artigos de jornais, jogos, filmes, livros e outras informações”, mas também podem encontrar “sites de pedófilia, tráfico de drogas, órgãos e armas, alugar assassinos e tudo o que se vê nos filmes”.

Da sua experiência na deep web João revela que “não se encontram apenas conteúdos perigosos”, mas é possível encontrá-los porque “só aí são permitidos e não são controlados pelo governo nem abrangidos por leis”. A Deep Web tem “todo o tipo de conteúdos” e muitos deles são criados com o propósito de “ajudar pessoas que precisam de informação de forma anónima”.

Então, o que na verdade torna a Deep Web tão perigosa? “João” clarifica que é a “falta de regularização e controlo, porque quando se entra na deep web tem de se tomar certas medidas de proteção”. Explica ainda que na internet dita “normal” os sites têm de seguir certos protocolos de segurança. “Assim, como não há regulamentação, a própria pessoa tem de fazer a sua própria segurança”.

“João” conclui considerando que é “importante realçar que os conteúdos perigosos só serão apresentados caso a pessoa esteja interessada ou à procura dos mesmos, visto que os browsers não têm qualquer influência sobre as pesquisas dos mesmos”.

Texto elaborado por Rui Pinto, aluno estagiário da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro