Esta semana, um míssil atingiu a Polónia, na fronteira com a Ucrânia. A situação lançou algumas dúvidas e receios, quer nos países envolvidos, quer no resto da Europa. Joanna Kapuścińska é polaca e vive no país com o namorado, que é natural de Penafiel. Acredita que a queda do míssil se tratou de “um incidente”.

“O meu primeiro pensamento foi que se tratou de uma provocação, que a Rússia estava a testar a reação da Polónia e da NATO. Eu não estava com medo que isto fosse o princípio de uma guerra, preferi abordá-lo com calma, foi apenas um incidente e foi assim que o percebi”, comenta ao Jornal A VERDADE, explicando que nem toda a gente olhou para o assunto da mesma forma. “Conheço uma pessoa mais velha que ficou tão nervosa que teve de tomar comprimidos para se acalmar e realmente esperava que a guerra começasse”, conta.

Este tema foi amplamente noticiado na Polónia, mas “foi rapidamente esclarecido”, segundo explica. Houve “comentários e várias teorias da conspiração, mas quando foi oficialmente anunciado que foi um erro da Ucrânia, toda a gente se calou”.

Joanna Kapuścińska, de 38 anos, nasceu na cidade polaca de Łomża, mas vive em Varsóvia há 17 anos. Vê o conflito entre a Ucrânia e a Rússia como “algo inimaginável que não deveria acontecer no século 21”. “A Rússia atacou a Ucrânia ilegalmente por razão nenhuma, embora seja difícil falar acerca das razões quando estamos a falar sobre um genocídio”, acrescenta.

Quanto à ação da Polónia durante este conflito, fica “muito feliz” pela cooperação com outros países, uma vez que “os polacos são impulsivos por natureza”.

“No início, o governo polaco comportou-se responsavelmente ao abrir as fronteiras. Os ucranianos podiam atravessar a fronteira sem passaportes ou visas, foram organizados comboios extra para refugiados e pontos de receção. Os refugiados receberam assistência médica gratuita, as crianças que vinham da Ucrânia foram admitidas nas escolas e jardins de infância, o que foi muito importante para pessoas que chegaram de um país estrangeiro durante a noite”, sublinha, referindo que, sem os voluntários, o país “não seria capaz de lidar com um tão grande número de refugiados”.

No entanto, defende que este apoio “não foi plenamente pensado e coordenado”. “As crianças foram deixadas sem ajuda psicológica, que deveria ter sido providenciada pelo Estado, e ainda muitos deles tiveram experiências traumáticas, perderam entes queridos lá e viram corpos de pessoas nas ruas. Eles receberam essa ajuda por parte de organizações e particulares, não pelo Estado”, constata.

Além disso, na Educação, as crianças entraram nas escolas “sem conhecimento da língua”, sendo que, na sua opinião, deveriam, por exemplo, “passar por um curso de línguas de um ano, ter tempo para se adaptarem às novas circunstâncias”.

Sobre o dia de amanhã, Joanna Kapuścińska acredita que “nunca se sabe o que pode acontecer no futuro”, mas que não espera que se inicie uma guerra. “A Rússia mostrou que não tem assim tanto poder militar como toda a gente esperava, a maior ameaça é que é um estado nuclear dominado por um louco. E o que eu gostaria por parte do meu Governo é que assegurasse a fronteira oriental com o exército”, conclui.