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Paredes
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Joana Barbosa, a melhor aluna da Secundária de Paredes, que equilibra estudos e paixão pela dança

Com uma média de 19,7 valores na Escola Secundária de Paredes, a jovem de 17 anos prepara-se para o ensino superior sem ter abdicar do palco.

Redação

Quando o cansaço das fórmulas de Físico-Química e dos problemas de Matemática começava a acumular-se, era no movimento e no ritmo da dança que Joana Barbosa encontrava a energia necessária para continuar. Aos 17 anos, prestes a completar 18, a jovem natural de Paredes concluiu o ensino secundário na Escola Secundária de Paredes com uma média final de 19,7 valores. Uma nota que considera, com modéstia, apenas uma "boa média", mas que reflete três anos de rigor, capacidade de organização e recusa em abdicar da vida fora das salas de aula.

A entrada no curso de Ciências e Tecnologias aconteceu no final do 9.º ano, num momento em que o futuro profissional ainda parecia um horizonte distante e cheio de incertezas.

"Cheguei ao fim do 9.º ano ainda bastante perdida com aquilo que queria para o meu futuro. Achei que o curso de Ciências tinha não só disciplinas que mais me interessavam, como a parte da Matemática e da Físico-Química, como também poderia abrir-me mais portas. Achei que era uma opção mais segura", recorda a aluna.

A procura de um método próprio e o desafio do secundário

A transição para o 10.º ano trouxe o exigente nível do ensino secundário, mas a adaptação acabou por revelar-se fluida. Encarando a nova etapa como um desafio estimulante, a jovem rapidamente percebeu que o sucesso não passava por passar horas infinitas a memorizar, mas sim por encontrar uma estratégia personalizada para cada matéria.

A consistência nos resultados acompanhou-a desde a infância, mas o secundário exigiu uma gestão mais refinada do tempo e dos hábitos de estudo.

"Desde pequenina que tiro boas notas, mas não diria que sou completamente apaixonada pelos estudos. Sempre tive uma vida fora da escola que valorizava bastante. Aquilo que me ajudou quando cheguei ao secundário foi mesmo procurar um método de estudo adaptado àquilo que realmente funcionava comigo e para as diferentes disciplinas. A maneira como estudava para Matemática era completamente diferente da maneira que estudava para Biologia", explica Joana, sublinhando que a prioridade passava por rentabilizar o tempo para não sacrificar o estudo semanal nem a sua vida pessoal.

A dança como refúgio e o crescimento na responsabilidade

Se a sala de aula alimentava o lado analítico, o palco preenchia o lado criativo e emocional. Praticante de dança desde tenra idade, Joana viu a sua ligação a esta atividade ganhar um novo significado por volta do 9.º ano, quando assumiu novas funções e responsabilidades dentro do seu grupo.

A evolução técnica fez com que passasse a ter um papel mais ativo no desempenho do coletivo, assumindo quase uma postura de liderança e orientação junto das colegas. Essa exigência acrescida obrigou a uma ginástica de horários ainda mais rigorosa durante os três anos de secundário.

"Tive de aprender a gerir bastante o tempo, porque acabava por me ocupar muito. Era muito à base da organização e também de compreender aquilo que estava a precisar em cada momento. Sabia que ia haver semanas em que ia ter de fazer uma série de trabalhos para a escola e não ia trabalhar tanto para a dança, e outras em que era o contrário", relata.

Nos momentos em que o calendário escolar apertava, a gestão da saúde mental sobrepunha-se a qualquer exigência. "Tentava sempre gerir a minha saúde mental e aquilo de que estava a precisar. Se tivesse de descansar, descansava; se tivesse de trabalhar, trabalhava. Aproveitava os momentos em que tinha maior energia para tentar ser mais produtiva para a escola e, quando me sentia mais cansada, fazia aquilo que realmente gostava, que era dançar", partilha a jovem.

Todo este percurso foi acompanhado de perto pela família. Os pais sempre incentivaram a autonomia e a independência de Joana no processo de aprendizagem, mantendo-se como um porto de abrigo e uma fonte de incentivo constante ao longo das diferentes fases escolares.

O futuro na FEUP e a mensagem para quem agora começa

Terminado o percurso na Escola Secundária de Paredes com distinção, o olhar está agora colocado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), onde concorreu ao curso de Engenharia e Gestão Industrial.

Apesar de ter sido a Físico-Química a disciplina que mais o captou durante o secundário, a escolha pelo ensino superior assentou numa decisão ponderada para responder às suas dúvidas sobre a área de vocação final.

"Continuo sem saber muito qual é a área de que mais gosto. Então, acho que o curso acaba por juntar várias áreas que me interessam, desde a gestão até à parte da Física, juntando o melhor dos dois mundos", refere. Antes de submeter a candidatura, procurou esclarecer dúvidas, conversou com alunos do curso e com profissionais do setor para garantir que dava um passo consciente e seguro.

À espera da confirmação da colocação com tranquilidade e com a consciência do esforço realizado, Joana Barbosa deixa um conselho fundamentado na própria experiência aos estudantes que agora enfrentam os desafios do ensino secundário:

"O que realmente é importante é aprenderem a dar o melhor deles, independentemente de tudo o que se passa na vida, mas sem dúvida não se esquecerem de aproveitar a própria vida. No meio de um percurso tão difícil, às vezes acabamos por nos perder um bocadinho e deixamos de cuidar de nós. É preciso exigir bastante de nós, porque parte da motivação vai nascer sempre de nós, mas é essencial organizar bem o tempo, respeitar os limites e apaixonarmo-nos pela nossa própria vida."