Ricardo Afonso, natural de Marco de Canaveses, viajou até à Polónia, no mês de abril, para ajudar refugiados ucranianos, que se viram obrigados a abandonar o seu país devido à guerra iniciada em fevereiro, após a invasão russa. De lá, trouxe “histórias e testemunhos” que guardará para a vida e “momentos” que nunca conseguirá tirar da sua memória, pode ler um pouco da sua história aqui.

Contudo, não foi só os refugiados ucranianos que Ricardo trouxe no coração. Num dos dias passados na tenda da Cruz Vermelha, em Medyka, foi abordado por um dos responsáveis com um pedido. “Como eu tinha viatura própria, perguntaram-me se podia fazer o transporte de medicamentos para um centro de distribuição alimentar, existente na Eslováquia”, começou por explicar.

O percurso era de cerca de 150 quilómetros. O marcoense aceitou, sem saber que, nessa viagem, ia viver um momento que o marcou para a vida. “Na deslocação, que fiz sozinho, ao entrar na Eslováquia, encontrei um grupo de crianças a brincar na estrada. Pensei para mim: ‘para estarem aqui é porque Deus quer que elas façam parte da minha vida’”, recordou.

Ricardo sabia que, na mala do seu carro, “tinha brinquedos”, mal os foi buscar, “foi a loucura”. Contudo, aquelas crianças tinha algo que sensibilizou ainda mais o marcoense: “tinham fome. Eu tinha um lanche que tinha comprado para a viagem e dei-lhes. Devoraram aquilo em segundos. Já ajudo crianças há muitos anos, mas nunca tinha presenciado nada assim. É isso que ainda não me deixa dormir em condições”, admitiu.

Após este momento, Ricardo Afonso seguiu viagem, mas sempre com aquelas crianças no pensamento. “Fiz o que me tinha comprometido e regressei à Polónia. Mas aquelas crianças não me saiam da cabeça”, afirmou. Foi então que pediu ajuda no grupo do Facebook “A Família do Etoo” para alimentar aquelas crianças. “Rapidamente consegui angariar uma boa quantia e fui comprar comida e brinquedos. Quando cheguei eles eram tantos. Acho que ouviram o meu carro a chegar”, recordou.

“Foi abrir a mala e ver aquelas pobres crianças a carregar o que podiam para as tendas onde viviam. Foi Deus que os colocou no meio da estrada a brincar quando ia a passar”, concluiu.