O Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto) foi um dos oito premiados a nível europeu (e único em Portugal) com o Prémio de Pesquisa ESGE Medtronic.

A distinção surgiu com o estudo “Accuracy of Artificial Intelligence-based Colonoscopy in Lynch Syndrome: when you should never miss an adenoma”, que visa “determinar a sensibilidade da colonoscopia assistida por IA em doentes com síndrome de Lynch”, escreve um comunicado, referindo que o anúncio é feito a propósito do Mês de Sensibilização Contra o Cancro do Intestino, assinalado ao longo do mês de março.

“É com muito orgulho que recebemos esta distinção que vem destacar o papel do IPO do Porto enquanto instituição de saúde que investe em métodos de diagnóstico mais precisos, de forma a diagnosticar doenças neoplásicas em fases mais precoces e assim conseguir tratar com mais eficácia”, afirma Mário Dinis Ribeiro, diretor do Serviço de Gastrenterologia do IPO Porto.

O estudo foi iniciado em fevereiro de 2021 e deverá terminar no final deste ano, incluindo cerca de 65 doentes, sendo que, neste grupo, os sistemas baseados em inteligência artificial podem ser “particularmente úteis em diminuir os missings da colonoscopia e consequentemente diminuir as neoplasias de intervalo”, explicou Cláudia Pinto, autora do estudo.

O sistema de diagnóstico utilizado no estudo é “o primeiro e único sistema de deteção computadorizado disponível no mercado que utiliza a inteligência artificial para identificar adenomas durante a colonoscopia de rotina”, indica o comunicado, referindo que é treinado pela revisão de mais de 13 milhões de imagens de pólipos de várias formas e tamanhos e funciona como um segundo par de olhos especializados, “que não se distraem nem são afetados pelo cansaço, contribuindo de forma significativa para o aumento do número de lesões detetadas durante a colonoscopia”.

Todas as inscrições foram avaliadas pelo Comité do Prémio ESGE com base na qualidade científica, inovação, no custo-benefício, na força da equipa de pesquisa e na qualidade geral do projeto.

“A ESGE tem o prazer de ter a oportunidade de entregar um prémio desta importância a esses investigadores no campo crítico da IA na colonoscopia”, afirma Helmut Messmann, presidente da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal. “Gostaríamos de reconhecer o papel que a Medtronic desempenhou, unindo forças connosco e fornecendo suporte organizacional e o sistema de diagnóstico aos vencedores. Os ramos jovens da nossa comunidade têm agora a oportunidade de ter um impacto positivo nos cuidados prestados ao doente e esperamos ter encontrado candidatos de excelência durante a fase II”, acrescenta.

A pandemia da COVID-19 poderá ter atrasado o diagnóstico de cancro colorretal para 83 mil doentes europeus, sendo que dados mais atuais apontam para mais de 10 mil casos de cancro do intestino e mais de 4.200 mortes todos os anos em Portugal.

A Síndrome de Lynch, doença em que o estudo premiado incidiu, é causada por mutações nos genes de reparação do DNA e é a causa mais frequente de cancro colorretal (CCR) hereditário. Os portadores destas mutações têm um risco cumulativo de CCR de até 70% e são geralmente diagnosticados em idade mais jovem.

“Nestes doentes, os pólipos (adenomas) têm uma maior probabilidade de apresentarem características de alto risco e representam uma progressão mais rápida para cancro. Neste contexto, é crucial minimizar os pólipos potencialmente não identificados na colonoscopia de rastreio (missings)”, refere o comunicado. Os sistemas baseados na utilização de inteligência artificial (IA) têm sido usados durante a colonoscopia com o objetivo de “aumentar a taxa de deteção de adenomas e o número de adenomas detetados por doente”.