A Ilha dos Amores ou Ilha do Castelo, em Castelo de Paiva, está situada onde o rio Paiva cruza o rio Douro. Tem uma vista privilegiada sobre os concelhos de Castelo de Paiva, Marco de Canaveses e Cinfães e é preenchida por vegetação selvagem e intocada.

Aqui pode afastar-se do ruído da cidade e escutar os sons da natureza, explorar a vegetação e nadar nas águas dos rios. É possível observar plantas rasteiras e árvores, tais como, pinheiros bravos, pinheiros mansos, carvalhos, oliveiras, tamargueiras, juncos, freixos, amieiros, entre outras espécies.

Foto: Município de Castelo de Paiva

Há centenas de anos, no rio Douro, ocorreu uma subida do nível das águas, formando uma porção de terra com cerca de 29 metros de altitude e 1.400 metros quadrados que hoje pode ser visitada. Para isso, pode utilizar um barco e deixá-lo no cais junto à ilha ou alugar um caiaque na praia do Castelo.

Foto: Município de Castelo de Paiva

De acordo com o site da Câmara Municipal de Castelo Paiva, a Ilha dos Amores foi um local de culto no período medieval e chegou a ter uma capela dedicada a São Pedro.

Há uma lenda associada a este local que é conhecida por muitos e tem como fundamento a existência de um “amor proibido” entre uma nobre fidalga de sangue azul e um pobre lavrador.

Os dois viviam um amor às escondidas, pois, na época, não eram permitidos casamentos entre pessoas de classes sociais diferentes, mas, certo dia, a jovem foi pedida em casamento por um senhor nobre. O pai da noiva prontamente acedeu ao pedido, já que, naquela época, os casamentos por conveniência eram algo habitual.

O lavrador, ao ter conhecimento do sucedido, ao avistar o nobre noivo da sua amada a passear à beira rio, matou-o e atirou o corpo ao rio de forma a apagar qualquer vestígio do crime. Como sabia que seria o principal suspeito, refugiou-se na pequena ilha deserta e foi planeando como raptar a sua amada

No entanto, enquanto atravessavam o rio, formou-se uma tempestade que engoliu a barca onde o jovem casal se encontrava. Diz-se que terá sido o espírito do nobre a vingar a sua morte. Desta lenda, resulta a designação deste local como Ilha dos Amores pelos populares.

Com o mesmo nome existe ainda a referência literária da Ilha dos Amores retratada por Luís de Camões, n’”Os Lusíadas”, que seria uma ilha paradisíaca, criada pelo escritor, proporcionada pela deusa Vénus e habitada por Nereidas, divindades das águas, que premiavam os heróis lusitanos com prazeres divinos.

Texto redigido com o apoio de Daniela Lenchyna.

Notícia atualizada às 11h27, de dia 30/08/2022.