Quase 500 anos depois da sua construção a Igreja e Claustro do Convento de São Gonçalo de Amarante foi alvo de uma “grande intervenção”. 16 meses passaram e esta segunda-feira, dia 10 de janeiro e Dia de São Gonçalo, o espaço de culto religioso abriu portas, depois de uma intervenção “vasta e muito específica”, nomeadamente ao nível da reabilitação do edificado e da conservação e restauro de todo o recheio artístico (esculturas, talha, painéis azulejares, pintura mural, pintura sobre tela e sobre tábua).

“É uma grande alegria estarmos aqui, hoje, neste dia, que é simbólico, do padroeiro São Gonçalo, para abrir portas desta igreja”, sublinhou o padre José Manuel Ferreira, pároco da paróquia de São Gonçalo. “Este é um momento de grande contentamento pelo trabalho de comunhão realizado, do sentido de missão e compromisso assumidos para levar a cabo tal empreitada”.

O sacerdote garante que “a igreja continuará a cumprir a sua missão litúrgica, cultural, histórica, turística, centro de espiritualidade e peregrinação. Com a sua dignidade renovada e espaço litúrgico atualizado, continuará a acolher a comunidade paroquial que aqui se reúne para celebrar a sua fé”.

Para além de toda a intervenção e restauro, foi também colocado um novo centro litúrgico: um altar, um ambão e uma cadeira. “Encontramos altares completamente distintos entre si. Eles são também exemplo de uma igreja que, desde o século XVI, foi sendo acrescentada com peças do seu próprio tempo. Nos últimos anos não houve uma atualização, mas agora, com esta intervenção, deixamos a nossa marca artística”, sublinhou.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Amarante, José Luís Gaspar, destacou esta data como “um dia histórico” para o concelho. “Temos a oportunidade de contemplar esta obra de arte. Estamos duplamente felizes, por comemorar o Dia do Santo e o dia em que esta igreja voltou a criar uma luz que já não tinha há muito tempo. A partir de hoje conseguimos ver pormenores que nunca tínhamos reparado na nossa igreja. O conjunto arquitetónico do Mosteiro de São Gonçalo e da Ponte são o ‘postal’ de Amarante. O nosso maior e mais importante cartão de visita. Aquele que fica na memória de cada pessoa que nos visita e que, a partir de hoje, dá novas razões para mais e mais visitantes quererem vir e quererem regressar a Amarante.”, disse.

Esta empreitada foi “uma união de esforços”, tendo sido promovida pela Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Amarante, no âmbito de uma operação em parceria com a Câmara Municipal de Amarante, cofinanciada pelo Norte 2020 – Programa Operacional Região Norte. “Também os amarantinos se quiseram associar a esta obra, contribuindo com o que podiam”, destacou.

José Luís Gaspar recordou ainda que esta igreja é também palco de vários concertos e deixou a garantia da sua continuidade. “Esta igreja tem uma acústica fantástica e toda a gente tem saudade de ver aqui um concerto”, constatou.

De acordo com a autarquia, ao longo dos 16 meses de obra, foram tratados os problemas com infiltração de águas pluviais e das térmicas, atualizada a infraestrutura elétrica, de iluminação e de áudio, e recuperado o recheio artístico.

Para além da igreja e das duas capelas – Capela das Oferendas e Capela do Túmulo de São Gonçalo, é agora também possível visitar a Capela de São Gonçalo, onde se encontra a imagem de São Gonçalo da Corda, o coro alto, a torre sineira e a Varanda dos Reis.

No que respeita a mobiliário, os bancos da assembleia foram renovados e há três novas peças em mármore (o referido centro litúrgico) da autoria do escultor Paulo Neves.

Este projeto representou um investimento total que ascende os dois milhões de euros, tendo sido cofinanciado pelo NORTE 2020 em mais de 800 muil euros. Teve a parceria da autarquia local, o acompanhamento técnico da Direção Regional de cultura do Norte e como mecenas a Fundação Manuel António da Mota.

Ainda esta segunda-feira teve lugar a cerimónia de dedicação ao altar e a Eucaristia, que foi presidida pelo Bispo do Porto, D. Manuel Linda.