Aos 63 anos, e após uma carreira como funcionário público, Aloisio dedica-se atualmente em exclusivo à sua paixão: “A minha profissão agora é esta, sou artesão a tempo inteiro, já é assim há seis anos".
Aloisio Moreira da Rocha, natural de Figueira, freguesia do concelho de Penafiel, voltou este ano a marcar presença na Agrival, destacando-se com o seu artesanato tradicional.
Aos 63 anos, e após uma carreira como funcionário público, Aloisio dedica-se atualmente em exclusivo à sua paixão: “A minha profissão agora é esta, sou artesão a tempo inteiro, já é assim há seis anos".
O artesanato acompanha Aloisio há cerca de quatro décadas: "É uma paixão que tenho já há 40 anos". E todos estes anos depois, o artesão continua a marcar presença na primeira feira onde mostrou as suas criação: "A primeira de todos foi aqui na Agrival e depois comecei a fazer pelo país todo”, explicou.
A primeira peça de artesanato de Aloisio foi a construção da maquete da sua própria casa, seguindo-se a criação de um barco, tudo isto como um simples passatempo: “Nunca fui homem de ficar a ver televisão então dediquei-me a criar estas peças, os utensílios da agricultura, os arads, umas grades, uns carros de bois, foi assim que comecei”.
Durante anos, o trabalho artesanal foi apenas um passatempo: “Só fazia para mim e para amigos, era mesmo um passatempo”. A evolução das suas habilidades foi gradual: “A maqueta da casa em oito dias fiz aquil, a brincar não era o dia todo, era uma horita ou duas por dia, depois ao longo dos anos a gente vai evoluindo, vai vendo, vai pensando cada vez melhor”.
O primeiro contacto com o mundo das feiras surgiu por convite da Agribal: “Foi o Dr. Manuel Fernandes que me convidou, porque eles viram as minhas peças e a partir daí comecei a ver que isto realmente tinha aceitação no mercado”. Desde então, a participação em eventos tem sido constante, impulsionada pelo feedback do público: “o feedback do público tem sido positivo e as pessoas a dizer-me muitas vezes: 'Já não se vê disto'".
A esposa de Aloisio, Bertina Oliveira Guedes, acompanha-o há mais de 12 anos, assumindo um papel fundamental na organização e venda das peças: “Ela tem mais habilidade para vender, para dar a cara ao público, eu gosto de trabalhar e ela dá-me os acabamentos. Fazemos uma boa equipa".
A inspiração das suas criações vem das tradições da sua freguesia: “Era os utensílios da agricultura, depois as casinhas, os moinhos a trabalhar em água", enumerou. Entre as peças de que mais se orgulha, destaca-se um castelo de 1,60 metros em pedra de cisto, que infelizmente se perdeu num incêndio: “Foi a peça que mais me orgulhava".
Para Aloisio, feiras como a Agrival são essenciais para valorizar o artesanato tradicional: “Acho que as organizações só que haviam de ter mais um bocadinho de cuidado de juntar o verdadeiro artesanato num setor específico, para quem visita ver logo o verdadeiro artesanato”.
Aloisio Moreira da Rocha mantém-se, assim, como um exemplo de dedicação e paixão pelo artesanato, valorizando tradições locais e transmitindo a importância de manter viva a arte dos verdadeiros artesãos portugueses.