Por detrás de obras e projetos, Daniela Leal ‘esconde’ a paixão pela arte de interpretar outra personagem – o teatro. Foi por volta dos 10 anos que travou o primeiro contacto com a área, através do tio David que havia criado o grupo de teatro amador O Bando dos Pardais, formado por vários membros da família de Daniela. “Tenho a família quase toda no teatro, portanto, é difícil não fazer parte. Aliás, os ensaios são melhores do que as saídas, porque divertimo-nos muito e faz-nos bem para descarregar o stress depois de uma semana de trabalho”.

Mãe, tias, primas e afilhada partilham com Daniela Leal o “gosto de estar em cima do palco”, fruto de uma “paixão que foi evoluindo” e que, hoje, se revela também no filho Cláudio, de oito anos. “Às vezes, em tom de brincadeira, dizemos que o teatro é outra família que temos”, conta.

Primeira atuação de Cláudio

Ainda não conhecia o mundo, e Cláudio já pisava os palcos ‘sem querer’. “Há oito anos estava grávida e andávamos em digressão com a peça de teatro “Dr. Passarinho”. Entretanto o Cláudio nasceu e tive de parar algum tempo. No regresso aos palcos o meu filho era pequenino, tinha cerca de dois meses. Eu estava a fazer a peça e só o ouvia a gritar. A determinada altura ouvi o comentário: ‘esta mãe não sabe tomar conta desta criança, façam o favor de a trazer aqui que vou ensinar-lhe umas técnicas’. Peguei nele ao colo e estive com ele o resto da peça”, recorda Daniela Leal.

Aí começou a caminhada do filho no teatro. Acompanhou, desde sempre, os ensaios da mãe, até que começou a conseguir decorar os textos. “Às vezes nos ensaios esquecia-me de uma palavra e ele era o meu ponto. Achamos piada conseguir decorar facilmente os textos e começou a fazer parte das peças”, recorda.

O grupo “O Bando dos Pardais”

O “Dr. Passarinho” voltou ao palcos e com ele veio também “o meu verdadeiro assistente, o Cláudio, como há oito anos. Ele acha muito divertido”, diz a mãe orgulhosa. 

Também o marido acompanha a “paixão”, ajudando com “com as luzes, os cenários. Vamos sempre os três para os ensaios”.

O filho “adora” pisar o palco e até “de mais. É uma criança que está sempre à vontade, principalmente com adultos, e deve-se ao facto de eu andar sempre nesta roda viva, entre teatro e outras atividades. Ele vai partilhando o meu gosto e facilmente se introduziu”, frisa.

Daniela Leal é engenheira civil, uma área que parece distante do teatro, mas que se unem pelo “saber estar com os outros. Na vida temos de aprender a estar com os outros. E o teatro deu-me isto, consigo lidar calmamente com as situações do meu dia a dia”, reconhece.

Mãe e filho

Fazer teatro é ter a “liberdade para sermos outras pessoas” e uma sensação que “não se consegue explicar. Só anda lá quem gosta muito, porque não somos remunerados e, muito pelo contrário, muitas vezes temos de levar coisas de casa ”, diz Daniela.

Por isso, deixa um agradecimento ao município de Penafiel que “tem tentado que o teatro chegue a todas as freguesias”.

O agradecimento estende-se ao tio David que lhe transmitiu o “bichinho” do teatro no Grupo de Teatro de Canelas – O Bando dos Pardais que “tem as portas abertas a todos”.