"Fazer o bem sem olhar a quem", tem sido o lema de vida de Adelina Guimarães que, há 35 anos, dedica parte da vida ao voluntariado. Um serviço prestado a todos os que a rodeiam que foi reconhecido no dia 8 de julho, com a entrega da Medalha de Mérito, no âmbito do 38.º aniversário da elevação de Amarante a cidade.
Diz-se amarantina "desde sempre". Nasceu, cresceu e viveu sempre "na mesma freguesia", aliás "toda a gente conhece a Leninha das frutas". Tem quatro filhas, que vivem perto, apenas uma "vai muitas vezes à Suíça". O início da dedicação ao voluntariado já vai longe, mas Adelina Guimarães, de 68 anos, recorda-se "como se fosse hoje" e partilha connosco como tudo começou. "Foi uma promessa que fiz após um atropelamento de uma filha com quatro anos. Sou crente e a caminho do hospital pedi muito à Nossa Senhora para que ela não morresse. Então fiz uma promessa", recorda.

O prometido seria "ajudar aqueles que, por altura das peregrinações, iam a Fátima a pé. Era algo que me tocava muito. Todos os anos, em maio, via os peregrinos a passar e, antigamente, levavam um saco grande às costas, com tudo o que precisassem. Aquilo sensibilizava-me muito e prometi isso", conta.
Começou, então, a 'caminhada' do voluntariado e com o primeiro grupo "com cerca de 20 pessoas, todas conhecidas", diz. "Prometi uma vez só e cumpri. No ano seguinte, já tinha dito às pessoas que voltava, mas sem promessa. Depois apanhei outro susto com o meu marido, estivemos numa aflição. E, nesses momentos, sempre que me encontrava sozinha, só 'via' peregrinos com as mochilas às costas. Disse 'pronto vai ser isto, enquanto eu puder eu farei isto'. E cá estou eu", diz com orgulho.
Na freguesia, na paróquia, estou metida em tudo, porque mesmo que não me queira envolver, envolvem-me
Os anos passaram, já conta 35, e continua a apoiar os peregrinos que por ela passam, no atual grupo de voluntários "Amor Por ti" (Grupo de Figueiró, Amarante). Confessa que gosta de ajudar "em todos os sentidos. Na freguesia, na paróquia, estou metida em tudo, porque mesmo que não me queira envolver, envolvem-me. Nas festas de São Tiago os cortejos saem sempre de minha casa, sou responsável por fazer cabazes para as pessoas com mais dificuldades no Natal, na Páscoa. Gosto de estar sempre atenta ao que acontece por ali", conta Adelina Guimarães.
Apesar de "nunca esperar tal coisa", receber a Medalha de Mérito foi "um orgulho". Mas, o mais importante é "fazer o bem todos os dias, sem pensar a quem e nem como. Nunca fiz nada com esse intuito e pretendo continuar enquanto conseguir", garante a amarantina 'de gema'.
