Festas e arraiais

Hoje é dia de São João

A sardinha é a rainha

Acompanhada pelo pão

Dois ingredientes que Paulo Silva, de 49 anos, conhece muito bem. Há 16 anos trocava a venda ambulante do pão, pela venda da sardinha porta a porta. “Decidi ser vendedor ambulante quando vim da Suíça. Andei quatro meses a padeiro e nessa altura cruzava-me com um peixeiro, que fazia a mesma volta que eu. Muitas vezes dava-lhe uma broa e ele dava-me uma sardinha, trocávamos uma coisa pela outra”, conta Paulo Silva.

Os dias foram passando e um dia o peixeiro desafiou-o a ficar com a volta do peixe. “Disse aquilo a rir e eu respondi ‘estás a falar a sério? e ele disse estou’. Passados uns dias, voltou dizer-me o mesmo: ‘vens uns dias vender peixe comigo e ensino-te a vender, se gostares e quiseres fica ao teu critério’”.

Com o “sonho” de ser vendedor ambulante, Paulo Silva decidiu “arriscar e gostei. Já lá vão 16 anos a fazer o que gosto”, garante. O dia a dia “não é fácil” e começa “muito cedo, porque hoje em dia há pouco peixe. Se chego à lota às 05h30 já não há. Em vez de teres nove variedade de peixe só tens cinco por exemplo. Depois vou vender porta a porta”. É assim que descreve o dia de um vendedor ambulante, que pode ser “maravilhoso ou péssimo, principalmente no inverno quando há menos peixe”.

O segredo de uma boa sardinha

No São João a sardinha é a rainha e é para Paulo Silva “95% das vendas desta altura”. Mas qual o segredo de uma boa sardinha: “A boa sardinha não pode ser muito grande. As pessoas pensam que quanto maior melhor, mas é ao contrário. Quanto maior for a sardinha, a espinha é mais grossa e mais dura”, revela.

Se há uns anos a sardinha portuguesa “era grande e boa, agora é mais pequena e tem a mesma qualidade”, acrescenta.

Este ano foram mais de duas mil as sardinhas que Paulo Silva vendeu para a noite de São João e que quer continuar a vender, “porque gosto do que faço”.