Depois das temperaturas elevadas registadas neste inverno, o frio chegou em força, assim como as tempestades de neve que pintam de branco alguns países do continente europeu.

A depressão Fien e o anticiclone dos Açores empurraram uma frente polar para a Europa e nas últimas horas vários países acordaram com temperaturas a registar valores negativos.

Um cenário que se vive na Noruega e que é narrado na primeira pessoa por Mário Freitas. Natural da freguesia de Sande e São Lourenço, concelho de Marco de Canaveses, há 10 anos que vive no sul do país e garante não se lembrar de um inverno “tão rigoroso e com tanta neve”.

Se durante o dia o termómetro marca os cinco graus celsius negativos, como no momento em que falava com o Jornal A VERDADE, à noite ronda os 10.ºC negativos. “Estão sempre temperaturas negativas. Só saio de casa de for mesmo necessário e em último recurso. Janto por volta das 19h00 e vou para casa”, explica o marcoense.

Acompanhado no trabalho por mais três portugueses, as conversas pela manhã não fogem ao tema da neve. “Nunca tinha visto. Ainda esta manhã (19 de janeiro) comentamos isso, este ano está mesmo muito forte o inverno”.

Há 10 anos na Noruega já se habituou ao cenário pintado de branco, mas confessa que “nunca viu como este ano, pelo menos nesta zona do país”.

E, se para uns a neve é motivo de divertimento e a atração, para Mário Freitas é “uma luta diária para limpar tudo, como os carros e os caminhos”.

Uma ‘luta’ ainda maior para quem trabalha na área da construção civil e no exterior, como é o caso do marcoense. “Nestes dias sofremos mais. Neste momento, por exemplo, estamos a fazer um túnel ferroviário falso, o maior da Noruega. É uma obra muito grande e com esta neve torna-se tudo mais complicado”, garante.

A rotina altera-se e a saída para o trabalho é mais demorada. Como nos explica Mário Freitas, é necessário “acordar mais cedo para limpar o carro. Aqui existe uma lei que não nos permite ir para a estrada com o carro coberto de neve, porque pode soltar durante o caminho e prejudicar os outros condutores. Como é um país onde neva todos os anos, são mais rigorosos e estão melhor preparados relativamente a Portugal”.

Com neve, ou não, a saída para o trabalho tem de ser feita e acompanhada por um “bom equipamento pessoal, boas botas, roupas” e algumas “paragens durante o dia para tomar um café ou chá que ajudam a aquecer um pouco”, diz.

As saudades de Portugal são “muitas” e o clima “mais frio do que Portugal”, mas pai de dois filhos e à espera de mais um, Mário Freitas diz que tem de “aguentar para dar um futuro melhor à família”.