Com o início do novo ano, há novos hábitos que se adquirem, mas há quem mantenha os mesmos há vários anos. Apesar do avanço da tecnologia, ainda há quem não se desfaça dos velhos, mas sempre atualizados, instrumentos de orientação para o novo ano como é o caso do seringador e o almanaque.

O primeiro almanaque editado em Portugal data de 1496 e era composto, sobretudo, por informações sobre o curso do sol, que deveria ser usada em complemento aos instrumentos de navegação da época. Contudo, é apenas no século XIX que o almanaque se torna mais abundante, sendo dirigido a todos os gostos, estratos sociais, ideologias e crenças religiosas.

No nosso país, existem diversas publicações que ainda persistem como o Borda D´Água, o mais antigo em circulação, o Almanaque Português de Fotografia, Almanaque de Nossa Senhora de Fátima, o Almanaque Espiritual e o Almanaque da Boa Nova.

Ana Pereira, natural de Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses, vendedora de calendários e almanaques da Editorial Missões há 25 anos, é uma das pessoas que se guia pelo almanaque para ver, entre outras coisas, “o tempo e as luas”.

Em conversa com o Jornal A VERDADE, a vilaboense contou que, inicialmente, fez uma encomenda, e como “as pessoas começaram a aderir”, passou a fazer mais encomendas ano após ano.

As vendas não produzem qualquer lucro para Ana Pereira, que envia tudo o que ganha para a Sociedade Missionária da Boa Nova, proprietária da editora. Contudo, não o faz sozinha, conta com a ajuda de outras pessoas que colaboram na missão de vender os artigos, tendo, nos últimos anos, “se vendido mais”, revelou a vilaboense.

O almanaque é um dos que se vende melhor pela variedade de assuntos que aborda, desde “o que se semeia, o que se planta em cada mês” e, claro, “as anedotas”.

Ana Pereira acredita que o facto de ter um preço simbólico, custando apenas “um euro e trinta cêntimos” e o valor reverter na totalidade para ajudar a Sociedade Missionária da Boa Nova, onde trabalham alguns sacerdotes naturais da freguesia, é um dos fatores para a compra deste produto.

Além disso, não tem dúvidas de que “as pessoas gostam de ler o que está lá escrito” porque “tem de tudo um pouco”, referindo-se ao almanaque possuir, para além de uma vertente religiosa, uma vertente cultural e recreativa pelo que se justifica a procura por esta publicação tradicional que perdura até aos dias de hoje.

Embora os habituais compradores desta publicação sejam maioritariamente pessoas mais velhas, a vilaboense destaca que “também há pessoas jovens que gostam de comprar”, apontando a idade de “30 anos para cima” como sendo o público-alvo do almanaque.

No ano passado, a procura foi tanta que “eles [Editorial Missões] tiveram de fazer mais”, referindo-se à necessidade por parte da editora de fazer uma nova tiragem para além das que já fazia anualmente.

Artigo redigido com o apoio de Carlos Cardoso, aluno da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro