Os anos de 2020 e 2021 foram marcados, inevitavelmente, pela pandemia de COVID-19 e pelos milhares de casos e mortes associados à doença. 2022 começou e, com ele, surgiu um aumento de casos de COVID-19, com Portugal a bater recordes de pessoas infetadas, não se traduzindo, no entanto, em aumento proporcional de mortes e internamentos, de acordo com os dados divulgados pela Direção Geral da Saúde. Após esta primeira fase, e com os novos casos a estabilizar, começou-se a vislumbrar um regresso à normalidade. Contudo, e com a maior movimentação de pessoas, começam também a surgir casos de gripe e também de gripe A, que esteve “adormecida” nestes dois anos. 

Neste seguimento, o Jornal A VERDADE entrevistou o médico de Medicina Geral e familiar, Rui Correia, que explicou quais as medidas a tomar e ao que se devem estes surtos de gripe A.  

“Tem a ver com o alívio das medidas de proteção, que estavam implementadas durante a pandemia de COVID-19. Tivemos o ressurgimento de doenças que são endémicas no nosso meio”, começou por explicar.

O profissional de saúde explicou que “não se tem, obrigatoriamente, de fazer o teste para saber o tipo de gripe que é”, sendo que o mesmo é feito da mesma forma do realizado à COVID-19. “Basicamente é como se fosse o vírus da gripe sazonal, com os mesmos sintomas: tosse, nariz entupido, dor de garganta, febre alta, dores no corpo… mas também vómitos, náuseas e diarreia”, explicou, acrescentando que é essencial “beber muitos líquidos e tentar controlar a temperatura”.

Sobre o isolamento, e apesar de não haver uma obrigação na legislação, o médico aconselha a que as pessoas se isolem “pela obrigação moral” de não contagiar os outros. “Legalmente a pessoa não tem de se isolar, mas moralmente deve fazê-lo, porque continuam a haver muitos grupos de risco, que podem sofrer muito com este tipo de doenças”, sublinhou. 

Nos casos mais graves, Rui Correia aconselha “a contactar a linha do SNS24, que está muitíssimo bem preparada” e não “recorrer de imediato a uma urgência de um hospital central”, para evitar que estas “sejam sobrecarregadas, como tem acontecido”. Se, mesmo assim, necessitar de atendimento médico, “deve, primeiramente, ir ao Centro de Saúde ou aos Serviços de Atendimento Permanente. As pessoas ficam extremamente assustadas e recorrem imediatamente à urgência porque acham que é o método mais fácil e mais rápido, mas acaba por não acontecer”.

O profissional de saúde aconselha a “ter calma, tentar controlar a temperatura. Se, às vezes, não souber a dosagem da medicação, principalmente para as crianças, podem perguntar aos farmacêuticos ou até contactar o médico de família”

De acordo com o médico, o facto de, nos últimos dois anos, “termos vivido numa bolha” potenciou a existências destes surtos de COVID-19. “Com a diminuição destas restrições é normal que isto aconteça”, disse, acrescentando que, quando houver sintomas “as pessoas devem usar máscara, para evitar contágios”.