O presidente da Câmara Municipal de Resende, Garcez Trindade, na entrevista ao Jornal A VERDADE (pode ler a primeira parte aqui) no âmbito da sua reeleição em setembro de 2021, destacou a importância das acessibilidades para o concelho de Resende.

“Resende não tem acessibilidades, logo a indústria é pouca. As acessibilidades que outros municípios do Tâmega e Sousa têm, nós não temos. A cereja é a atividade económica agrícola que mais contribui para a sustentabilidade económica de Resende. Não temos indústria precisamente porque não temos acessibilidades”, disse.

Desta forma, o autarca considera “fundamental” o investimento nas acessibilidades para tornar o concelho mais competitivo a nível económico. “No Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) do Governo está prevista a ligação de Baião à Ponte da Ermida. São cerca de 12 quilómetros que estão previstos”, explicou.

A atual estrada que liga Resende ao Porto “não é prática”, sendo que Resende “precisa das acessibilidades como de pão para a boca” e o projeto avançará, logo que a conjuntura mundial se compuser. “Estou convencido que o PRR continuará e, nesse sentido, iremos ter a nossa ligação tão desejada, que pode dar o eixo às ligações e ao desenvolvimento económico”, defendeu. O presidente utilizou ainda o exemplo de Baião que, “a partir do momento que teve ligação ao Marco de Canaveses e, consecutivamente, à autoestrada A4, conseguiu construir uma segunda fase do seu parque industrial, que dá postos de trabalho e dá desenvolvimento”

O presidente recordou ainda que, na época da austeridade, houve “um grave problema” com os jovens que viviam no concelho. “Tínhamos muitos jovens a trabalhar na construção civil, um investimento que terminou e eles ficaram sem trabalho. Acabaram por ir para o estrangeiro. Tivemos uma redução significativa da população na ordem das duas mil e tal pessoas. Com os CENSOS, percebemos, efetivamente, quantas pessoas saíram de Resende para trabalhar fora”, lamentou.

Sobre a “urgência das acessibilidades”, Garcez Trindade recorda que existe no concelho uma zona industrial que “tem uma construção que ainda não acabou. Os lotes estão todos vendidos, mas ninguém constrói”, afirmou. “Tentamos que se lembrem de nós, vamos acenando com o lenço e, quando os representantes do Governo vêm aqui, não tenho medo de falar e de os comprometer”, constatou.

Garcez Trindade deixou ainda críticas ao “atraso que os municípios da margem direita têm em relação aos da margem esquerda do rio Douro”, defendendo que “a coesão territorial tem de promover estes territórios, para que eles tenham, pelo menos, o básico para o desenvolvimento, caso contrário, não têm hipótese”.

Para aqueles que pretendem regressar a Resende, ou até escolher o concelho para viver, Garcez Trindade deixa a garantia de que “a câmara municipal cá estará para ajudar”, o que “contribuirá, de alguma forma, para contrabalançar esta perda, esta sangria que tivemos nos últimos tempos em termos de população”.