O Dia Mundial da Grávida celebra-se anualmente a 9 de setembro. Foi escolhido o dia nove do nono mês do ano em alusão aos nove meses da gravidez.

Diz o provérbio que depois da tempestade vem a bonança, mas nem sempre é assim e a história de Paula Magalhães, de 49 anos, é prova disso. No final do mês de agosto de 2009 recebeu um diagnóstico de cancro da mama e cerca de três semanas depois, a oito de setembro, um teste de gravidez confirmava a chegada do primeiro filho. 

“Fiz uma biópsia e em outubro disseram-me que iria ter de fazer vários tratamentos, que seriam muito agressivos. Então os médicos disseram-me, de imediato, que teria de fazer uma Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), recorda.

Seguiram-se vários tratamentos, entre eles quimio e radioterapia. Mas continuava também o “sonho” de um dia vir a ser mãe. No entanto, o cancro obrigou Paula Magalhães a tomar uma medicação, durante cinco anos, incompatível com a maternidade. “No IPO (Instituto Português de Oncologia) disseram-me que com a medicação era impensável engravidar”.

Quando faltava um ano para completar a medicação, os médicos informaram Paula Magalhães que o prazo tinha sido alargado para 10 anos, “mas como queria tanto ser mãe, tive uma reunião com a equipa médica do IPO e disseram-me que como queria muito e tinha 42 anos me davam autorização para interromper a medicação para poder engravidar”, conta.

As notícias eram as desejadas, mas não confirmavam a concretização do sonho. “Como tinha tomado uma injeção para provocar a pré- menopausa, poderia não conseguir”.

Quis o destino que Paula Magalhães fosse mãe e o sonho viria a ganhar forma no dia 17 de setembro de 2016. “Depois de um processo tão complicado e de nos terem dito que provavelmente não iríamos conseguir, foi maravilhoso. Nem tenho palavras para descrever”. É assim que recorda o dia do nascimento da filha, que hoje tem cinco anos.

A maternidade era um momento “tão desejado” pelo casal que, mesmo depois de todo o processo da doença, não se mostrou receoso durante a gravidez. “Nós desejávamos tanto, que nem pensávamos que pudesse acontecer novamente. Apenas fui aconselhada a não trabalhar a partir dos cinco meses de gravidez, mas no geral correu tudo muito bem”.

Para além do problema de saúde, a idade era outro fator. “Mas não nos focamos nisso e fazíamos uma vida completamente normal”, acrescenta.

Após o nascimento da filha, o único receio era a amamentação, “porque não sabia como ia ser, mas quando abri os olhos e a vi no colo da minha irmã a tomar leitinho, disse ‘tu à fome não morres’”.

Hoje, são uma família “feliz” e um exemplo de esperança para muitos outros casais: “se têm o sonho de ser pais, nunca percam a esperança. Nunca contamos que nos aconteça o pior, mas se desejamos muito, temos de lutar e ser positivos. Para isso, é muito importante contar com o apoio da família, amigos e confiar nos médicos”.