Baião foi o local escolhido pelo realizador António Sequeira para gravar a sua primeira longa-metragem profissional. Chama-se “Outono”, já está em gravações no concelho e pretende mostrar outra forma de fazer filmes no país.

“Em Portugal, só há uma maneira quase de se fazer um filme e nós estamos a provar aqui que conseguimos fazer filmes de outra maneira e acho que, se não fosse em Baião, se calhar, tinha mais dificuldade”, afirmou o realizador.

Locais como a Avenida 25 de Abril, a Fundação Eça de Queirós, a Estação de “Tormes”, Ribadouro e Amarelhe, entre outros, foram os escolhidos para as filmagens que, numa primeira fase, estarão em Baião durante três semanas, nos meses de março e abril, regressando, depois, nos meses de outubro e novembro, de forma a poder retratar as estações do ano.

“Exploramos numa família o que acontece quando o filho mais velho vai para a universidade. Ele sai para ir para o estrangeiro e, depois, vemos sempre quando ele regressa a casa, nestas diferentes estações e observamos o que acontece à família. Exploramos os temas do vazio dos pais, de os filhos chegarem a casa e já se sentirem diferentes do que eram quando saíram e, de repente, a dinâmica da família, simplesmente, ficar diferente”, explica, referindo que a história tem um valor “emocional” para si, já que é baseado “em certas coisas que também” lhe aconteceram quando emigrou para Londres.

O realizador destaca que a envolvência das pessoas de Baião em diversos aspetos “tem sido excecional”, sendo que vão ainda participar como figurantes em algumas cenas. A produção é privada, contando com o financiamento de duas produtoras, uma portuguesa e outra inglesa, e ainda com o apoio logístico por parte da Câmara Municipal de Baião.

A ideia é também a internacionalização, daí o filme contar também com a participação de uma personagem inglesa e com pequenas cenas filmadas em Londres. “A ideia do filme é ser mostrado em cinemas internacionais em todo o lado do mundo”, garantiu.

“Será um filme de duas horas. A esse nível, será um grande passo na minha carreira, se correr tudo bem”, completou, informando que deverá estar nas salas de cinema em “meados de 2023”.

O elenco principal conta com os nomes de Miguel Frazão e Elsa Valentim que interpretam o papel de pais e Salvador Gil e Beatriz Frazão que interpretam o papel de filhos. Presentes na conferência de imprensa desta quarta-feira, dia 29 de março, estiveram também a diretora de fotografia Anastasiia Vorotniuk e a atriz Krupa Givanne, que será a namorada do filho mais velho. O grupo de teatro baionense “Bai’o Teatro” colaborou também com a equipa de realização ao nível de ensaios técnicos.

Para os atores, o concelho tem sido uma descoberta, quer a nível de paisagens, quer de gastronomia. Elsa Valentim revela que nunca esteve “tanto tempo num sítio a rodar”: “Entre a serra e o rio, o tradicional e o confortável. As casas e as pessoas são extraordinárias por nos terem emprestado as casas desta maneira e as casas cá por fora, mantêm toda a traça antiga e, quando vamos lá para dentro, são verdadeiras mansões, têm todas as condições. Nós estamos na antiga escola lá em baixo, em Ribadouro. Eu acordo e tenho o Rio Douro aos pés, nunca tive uma paisagem assim”.

Para a vereadora Anabela Cardoso, como todo o filme terá como cenário Baião, “será um grande cartão de visita” para o concelho.

“O primeiro objetivo é a promoção do concelho, mas depois toda a vertente associada à promoção do filme, a divulgação que fazemos junto da equipa e dos atores que participam na filmagem e que, certamente, também apreciando Baião, ajudam a divulgar o nosso concelho e, depois, o envolvimento da comunidade, do grupo ‘Bai’o Teatro’, é uma mais-valia para todas estas pessoas. Têm oportunidade de interagir com um projeto novo da área cultural”, acrescentou.