A felicidade da manhã desta sexta-feira, dia 25 de março, estampada no rosto de dois jovens e uma criança ucranianos, contrasta com a angústia vivida nas últimas horas, quando souberam que o prédio onde moravam foi bombardeado, na capital da Ucrânia.

São duas mães com um filho cada uma (de três e de oito anos) e o irmão de uma delas, que tem 16 anos. Uma das jovens deixou a mãe na Ucrânia porque teve de ficar a cuidar da avó, que tinha pouca mobilidade, ficando abrigadas num bunker.

Em dois dias, tudo ficou preparado ao pormenor numa casa de Regina Alves, desde mobília à despensa cheia com os bens essenciais para os próximos dias. “A casa estava completamente vazia. Mobilizei todos os amigos que podia, por isso, por detrás de mim, há mais corações, não sou só eu”, comentou.

À emoção da chegada desta família e ao sorriso de satisfação por ajudar juntou-se ainda o simbolismo de toda esta ação. Esta casa foi onde Regina Alves passou a infância e será agora o lugar onde quer que esta família crie também novas e mais felizes memórias.

“Vi aquelas imagens aterradoras na televisão e não consegui ficar indiferente. E depois é pôr-me no lugar do outro. No fundo, foi ‘e se fosse comigo?’. O que é que eu posso fazer e como é que eu gostaria que me recebessem fosse onde fosse?”, explicou ao Jornal A VERDADE.

Depois de pensar no que podia fazer para ajudar, entrou em contacto com os Serviços Sociais da Câmara Municipal de Penafiel para disponibilizar esta casa. Quando a família chegou a Portugal, foi alojada numa casa de emergência do município de Penafiel até ficar decidido que viriam para ali.

Helena Myarkovska é o elo que encurta a distância entre o ucraniano e o português. Está a viver em Paredes e inscreveu-se para ajudar na tradução dos refugiados que chegam da Ucrânia.

“Obrigada! Estamos muito felizes. O povo português é mesmo acolhedor. Somos muito gratos a todas as famílias portugueses que estão a receber e a ajudar famílias desalojadas da Ucrânia”, afirmou. São várias as pessoas que tem ajudado na tradução, mas esta, em particular, tem um significado especial, uma vez que tem laços familiares.

Regina Alves afirmou que vai tentar integrar alguns ucranianos nas suas empresas e deixou ainda o apelo para que outras entidades que partilhem da mesma vontade ajudem estas famílias.