Direto à Europa

Direto à Europa: Um inverno difícil, mas uma luz ao fundo do túnel

Carlos Graf - Europe Direct Tâmega e Sousa

14-02-2021

Saiba tudo sobre as previsões económicas do inverno de 2021.

Foto: European Business Magazine

Esta semana centramo-nos em questões relacionadas com a economia. Em primeiro lugar, apresentamos as previsões económicas para Inverno de 2021, que, apesar de ainda revestidas de algumas incertezas, apontam para um crescimento da economia da União Europeia de 3,7% em 2021. Abordaremos também a aprovação pelo Parlamento Europeu, do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, um importante instrumento para a revitalização e recuperação da economia europeia da pandemia do COVID-19.

Previsões económicas do inverno de 2021: Um inverno difícil, mas uma luz ao fundo do túnel

As previsões económicas do inverno de 2021 apontam para um crescimento da economia na área do euro de 3,8 % em 2021 e em 2022. No que respeita à economia da UE, as previsões apontam para um crescimento de 3,7 %, em 2021, e de 3,9 %, em 2022.

A Europa continua a braços com a pandemia de coronavírus. O aumento do número de casos, juntamente com o aparecimento de novas estirpes, mais contagiosas, do coronavírus, obrigaram muitos Estados-Membros a reintroduzir ou a reforçar as medidas de contenção. Ao mesmo tempo, o início dos programas de vacinação em toda a UE permite um otimismo prudente.

O crescimento económico deverá retomar aquando do aligeiramento das medidas de contenção

As Previsões económicas do inverno de 2021 apontam para um crescimento da economia na área do euro de 3,8 % tanto em 2021 como em 2022. No que respeita à economia da UE, as previsões apontam para um crescimento de 3,7 %, em 2021, e de 3,9 %, em 2022.

Prevê-se que as economias da área do euro e da UE atinjam os seus níveis de produção anteriores à crise mais cedo do que o antecipado nas Previsões económicas do outono de 2020,em grande medida devido a um dinamismo de crescimento mais forte do que o previsto no segundo semestre de 2021 e em 2022.

Após um forte crescimento observado no terceiro trimestre de 2020, a atividade económica registou uma nova contração no quarto trimestre quando uma segunda vaga da pandemia levou à adoção de novas medidas de contenção. Com essas medidas ainda em vigor, no primeiro trimestre de 2021 as economias da UE, bem como as da área do euro, deverão registar uma contração. O crescimento económico deverá retomar na primavera e intensificar-se no verão, à medida que os programas de vacinação forem avançando e que as medidas de contenção forem sendo gradualmente aligeiradas. A recuperação deverá também ser apoiada pela melhoria das perspetivas para a economia mundial.

O impacto económico da pandemia continua a ser variável consoante os Estados-Membros, prevendo-se que a rapidez da recuperação varie igualmente de forma significativa entre eles.

Foto: Guillaume Perigois/Unsplash

A inflação deverá continuar moderada

As previsões apontam para um aumento da inflação na área do euro de 0,3 %, em 2020, para 1,4 %, em 2021, antes de registar uma ligeira descida para 1,3 % em 2022. Segundo as previsões, a inflação na área do euro e na UE aumentou ligeiramente em 2021 em relação ao outono, mas prevê-se que globalmente se mantenha moderada. A pressão da procura global sobre os preços continua a ser atenuada pelo atraso na retoma.

Em 2021, a inflação aumentará temporariamente devido aos efeitos de base positivos da inflação no setor da energia, a ajustamentos fiscais, principalmente na Alemanha, bem como ao facto de a procura não satisfeita se confrontar com algumas restrições ainda existentes a nível da oferta. Em 2022, com o ajustamento da oferta e a atenuação gradual dos efeitos de base, a inflação deverá voltar a diminuir.

Continua a existir uma grande incerteza e riscos significativos

Os riscos no que respeita às previsões são mais equilibrados desde o outono, embora continuem a ser elevados. Dependem principalmente da evolução da pandemia e do êxito das campanhas de vacinação.

Os riscos positivos estão associados à possibilidade de o processo de vacinação conduzir a um aligeiramento das medidas de contenção mais rápido do que o previsto e, por conseguinte, a uma recuperação mais forte, que começaria mais cedo. Além disso, o NextGenerationEU, o instrumento de recuperação da UE, cujo elemento central é o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR), poderá promover um crescimento mais forte do que o esperado, uma vez que a maioria dos financiamentos previstos neste âmbito ainda não foram integrados nestas previsões.

Em termos de riscos negativos, a pandemia poderá revelar-se mais persistente ou mais grave a curto prazo do que o indicado nestas previsões ou poderá haver atrasos na implementação dos programas de vacinação. Tal poderá atrasar o aligeiramento das medidas de contenção, o que, por sua vez, afetará o momento e a robustez da recuperação esperada. Existe também o risco de a crise deixar marcas mais profundas no tecido económico e social da UE, nomeadamente através de falências e perdas massivas de postos de trabalho. Tal prejudicaria igualmente o setor financeiro, aumentaria o desemprego de longa duração e agravaria as desigualdades.

Contexto

As previsões económicas do inverno de 2021 atualizam as previsões económicas do outono de 2020, apresentadas em novembro de 2020, principalmente no que respeita à evolução do PIB e da inflação em todos os Estados-Membros da UE.

Estas previsões baseiam-se num conjunto de pressupostos técnicos em matéria de taxas de câmbio, taxas de juro e preços das matérias-primas à data de referência de 28 de janeiro de 2021. Relativamente a todos os outros dados necessários, incluindo os pressupostos relativos às políticas públicas, as previsões assentam nas informações disponíveis até 2 de fevereiro, inclusive. A menos que sejam anunciadas políticas de forma credível e suficientemente pormenorizada, as projeções continuarão a assentar no pressuposto de políticas inalteradas.

É importante realçar que as previsões se baseiam em dois pressupostos técnicos importantes relativos à pandemia. Em primeiro lugar, partem do princípio de que, após um reforço significativo das restrições no quarto trimestre de 2020, serão mantidas medidas de contenção rigorosas no primeiro trimestre de 2021. Segundo as previsões, estas medidas de contenção começarão a ser aligeiradas no final do segundo trimestre e, posteriormente, de forma mais acentuada no segundo semestre do ano - momento em que as pessoas mais vulneráveis e uma parte cada vez maior da população adulta deverão já estar vacinadas. Em segundo lugar, partem do princípio de que no final de 2021 as medidas de contenção permanecerão marginais e de que em 2022 serão aplicadas unicamente medidas setoriais específicas.

A integração nas previsões do NextGenerationEU, incluindo o RRF, é conforme com o habitual pressuposto de políticas inalteradas, como já era o caso nas previsões do outono. As previsões integram unicamente as medidas que foram adotadas ou anunciadas de forma credível e especificadas de forma suficientemente pormenorizada, nomeadamente nos orçamentos nacionais. Na prática, isto significa que só as previsões económicas de um pequeno número de Estados-Membros é que têm em conta algumas medidas que se prevê venham a ser financiadas ao abrigo do RRF.

Estas previsões têm em conta o facto de a UE e o Reino Unido terem alcançado um Acordo de Comércio e Cooperação, aplicado a título provisório desde 1 de janeiro de 2021, e que inclui um Acordo de Comércio Livre (ACL).

As próximas previsões da Comissão Europeia serão as previsões económicas da primavera de 2021, que serão publicadas em maio de 2021.

Para mais informações

Documento completo: Previsões económicas do inverno de 2021

Foto: Parlamento Europeu

Comissão congratula-se com a aprovação do Mecanismo de Recuperação e Resiliência pelo Parlamento Europeu

A Comissão Europeia congratula-se com a votação do Parlamento Europeu, que confirmou o acordo político alcançado sobre o Regulamento Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) em dezembro de 2020. A aprovação representa um passo importante no sentido de disponibilizar 672,5 mil milhões de EUR em empréstimos e subvenções aos Estados-Membros, para apoiar as reformas e o investimento.

O MRR é o principal instrumento no âmbito do NextGenerationEU, o plano da UE para sair fortalecida da pandemia de COVID-19. Desempenhará um papel crucial para ajudar a Europa a recuperar do impacto económico e social da pandemia e ajudará a tornar as economias e sociedades da UE mais resilientes e seguras nas transições ecológica e digital.

A aprovação do Parlamento Europeu abre caminho à entrada em vigor do MRR na segunda metade de fevereiro. Os Estados-Membros poderão então apresentar oficialmente os seus planos nacionais de recuperação e resiliência, que serão avaliados pela Comissão e adotados pelo Conselho. Os planos de recuperação e resiliência definem as reformas e os projetos de investimento público que serão apoiados pelo MRR. A Comissão já está empenhada num intenso diálogo com todos os Estados-Membros com vista à preparação dos planos.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, declarou: «Será essencial derrotarmos o vírus, com a ajuda das vacinas, mas também precisamos de ajudar o cidadãos, as empresas e as comunidades a saírem da crise económica. O Mecanismo de Recuperação e Resiliência contribuirá com 672,5 mil milhões de euros para a realização desse objetivo. O investimento será utilizado para assegurar uma Europa mais ecológica, mais digital e mais resiliente, com benefícios a longo prazo para todos. Congratulo-me com o voto positivo do Parlamento Europeu, um passo importante no sentido da ativação do Mecanismo de Recuperação e Resiliência».

Comunicado de imprensa

Mecanismo de Recuperação e Resiliência: Perguntas e respostas

Fonte: Representação da Comissão Europeia em Portugal