Olá.

Quero apresentar-me: sou a Árvore de Natal. Quero dizer-vos que tenho dias em que sou muito Feliz e todos me querem ver. Decoram-me, colocam-me brincos de todos os modelos e feitios e, até, colocam uma estrela na minha cabeça. Rodeiam-me de prendas muito bem embrulhadas, com belos laços coloridos e com uma mensagem escrita em lindos postais. Algumas vezes, colocam sapatos debaixo dos meus braços verdes e outros, nesses sapatos, colocam essas prendas. Alguns meninos, durante a noite, vêm fiscalizar as caixas e os sacos das prendas e, chegam a desfazer os laços para espreitarem e ver o que está guardado nesses belos embrulhos. Parece-me estranho, mas eles, depois de fazerem a inspeção, voltam a refazer os laços, com tanto cuidado que parece que ninguém lhes tocou.

Fico muito bonita quando à noite se ligam as luzes com que enfeitaram todo o meu corpo. Elas piscam e têm muitas cores. Fico deslumbrante. Eu brilho.

Parece incrível, mas todos andam à minha volta e todos gostam de mim! Adoro ser o centro das atenções e fico sempre mais feliz quantos mais presentes colocam à minha volta! Por vezes, são tantos que se acumulam uns em cima de outros. Esta minha alegria dura algum tempo e há sempre um dia em que percebo que tudo vai acabar. Nesse dia, juntam-se os meus donos com os seus filhos, todos os familiares e, até, amigos e, um a um, vão abrindo os embrulhos que têm os presentes guardados. Percebo que uns ficam mais contentes, mas todos agradecem uns aos outros beijando-se e abraçando- -se com muita alegria, ternura e afeto. Os risos são muitos e eu sinto-me a árvore mais importante do mundo!

Fico muito feliz, mas também sinto tristeza, porque sei que está a chegar o dia em que me retiram tudo – os brincos, as luzes e, até, a estrela. Depois guardam-me dentro de uma caixa maior. Fico, assim, sozinha e abandonada numa arrecadação, não sei por quanto tempo, mas creio que é muito, porque cada vez que me voltam a dar vida vejo que estão todos diferentes – não sei se é pelo passar dos dias ou porque será. O que sei é que durante o tempo que me colocam na caixa maior, já não há tanta alegria na casa, não se ouvem os risos e não se ouve falar em prendas.

Acho estranho que só me deem vida uma dúzia de dias no ano. Eu penso que seriam todos muito mais felizes se me tivessem sempre enfeitada, iluminada e com muitas caixas de prendas debaixo dos meus braços verdes.

Será que eles não sabem que eu sou muito importante para a sua Felicidade?!

Texto de António Santana.