Ser Mulher

Ser mãe e diretora de produção exige “muita ginástica para não falhar em nada”

Ana Magalhães

José Rocha

12-03-2021

Leia um dos 12 testemunhos do especial que o Jornal a VERDADE dedica à mulher ao longo desta semana.

Gostar do que se faz profissionalmente é meio caminho andado para a felicidade. Quer sejamos cozinheiros, empregados de limpeza, médicos ou engenheiros, o importante é sermos felizes a exercer a respetiva atividade profissional. E é exatamente esta a premissa que segue Sílvia Vieira, diretora de produção na Nanta, empresa localizada na freguesia de Marco de Canaveses que pertence ao grupo ibérico Nutreco.

Diariamente, as suas funções passam por “coordenar e planear” o trabalho de uma equipa com 35 pessoas. “Tenho de acompanhar e organizar todo o processo de fábrica, desde produção, armazém e manutenção. Faço um acompanhamento diário em fábrica, ouço os colegas, as sugestões e as críticas e tenho de saber aplicá-las para encontrar as melhores soluções”, explicou.

Sílvia Vieira reconhece que o cargo que desempenha “exige muita disciplina, concentração, organização, diria até um pensamento rápido, uma vez que a fábrica não pode parar e quando tem que parar temos que ser imediatos na resolução”. Isto porque “os clientes têm sempre que receber os seus produtos e para a Nanta isso é o mais importante, tendo sempre presente a segurança de todos os nossos colaboradores”.

A mulher, natural de Marco de Canaveses, confidencia que a oportunidade de trabalhar nesta empresa aconteceu de forma natural. “Sempre fui muito dedicada à minha profissão e este desafio é reflexo disso. Faço parte da equipa Nanta desde 2012 e nas funções que exercia anteriormente fui empenhada, dedicada e, acima de tudo, profissional”, descreveu.

Apesar de atualmente estar completamente adaptada ao ambiente de trabalho, admite que, inicialmente, foi algo que criou alguns obstáculos. “Tive receio, mas, com o tempo, fui amadurecendo a ideia e percebendo que seria um projeto muito aliciante. A Nanta confiou no meu profissionalismo e por isso só tenho a agradecer o voto de confiança”, elogiou.

A propósito desta “fase atípica para todos”, Sílvia Vieira assume que “conciliar a vida profissional com esta pandemia está a ser extremamente difícil. Na minha profissão, o estar presente na fábrica é crucial pois é lá que tudo acontece. Fazer teletrabalho nesta função não é totalmente viável, mas é o que tenho feito até hoje, devido ao encerramento das escolas”, disse.

Relativamente ao teletrabalho, confessa que, “com filhos é muito difícil”. E justifica: "Os nossos filhos acham que estamos em casa para estar com eles e não para estarmos sempre no computador e ao telemóvel. É uma realidade muito dura e muito triste. Felizmente, com ajuda da família, dos amigos e com a compreensão e o apoio da Nanta, conseguimos encontrar uma forma de estar presente na fábrica, pelo menos, durante as tardes, e assim já consigo apoiar a minha equipa. Sim, porque a minha equipa esteve sempre na linha da frente e correu tudo muito bem”, referiu satisfeita.

Neste período muito se tem falado na necessidade de manter a boa forma física em casa. Porém, os maiores esforços de Sílvia são empregues na conciliação da vida profissional com a vida familiar. “Temos que fazer muita ginástica para não falhar em nada. Não é fácil, mas acho que havendo uma boa gestão de tempo se consegue fazer tudo no momento certo. Claramente que tudo se complica quando tenho que me ausentar de casa por alguns dias, isso sim, é o mais complicado. Tenho um filho com três anos e ele é a minha grande preocupação. É uma grande logística, mas nada que não se consiga”, afirmou determinada.

Para Sílvia Vieira, não sobram dúvidas de que “o papel da mulher no mundo laboral se alterou muito”. E explica porquê: “com o passar do tempo, a mulher saiu do anonimato e encaixou-se na sociedade. Aos poucos e poucos, foi assumindo o seu papel e ganhando o seu espaço na sociedade. Muitas coisas ainda precisam de ser mudadas, mas em contrapartida a mulher está a tornar-se mais bem vista e com credibilidade”, argumentou.

Embora considere que “a mulher possa ocupar o cargo que bem entender”, esse desígnio torna-se mais complicado de concretizar pelo facto de “não estar livre de preconceitos e estereótipos”. E finaliza: “a mulher não quer atingir um patamar mais alto do que o do homem, quer apenas ter os diretos semelhantes aos dele, quer reconhecimento, quer oportunidades iguais. Tenho a certeza que, atualmente, caminhamos no sentido certo”.