Ser Mulher

Paula Teixeira alimentou “bichinho” da restauração até criar “casa mítica do Marco”

José Rocha

11-03-2021

Leia um dos 12 testemunhos do especial que o Jornal a VERDADE dedica à mulher ao longo desta semana.

“O que queres ser quando fores grande?” A pergunta é proferida quase de forma automática por um adulto das primeiras vezes que se dirige a uma criança. “Médico” ou “bombeiro” são algumas das respostas mais comuns por entre opções mais curiosas, que fazem despoletar gargalhadas entre os adultos presentes.

No caso da mulher cuja história lhe damos hoje a conhecer, teve desde criança o ‘bichinho’ da restauração, até porque sempre teve um gosto especial pelo contacto com o público. A entrevistada em causa trata-se de Paula Teixeira, que traz o desejo de singrar no mundo dos negócios desde que se lembra. “Fui sempre empresária e empreendedora”, conta a gerente da Cervejaria Faraó, restaurante de referência de Marco de Canaveses no que à arte de confecionar francesinhas diz respeito.

Com apenas 18 anos, começou a gerir lojas de vestuário de senhora e crianças, função à qual se dedicou durante 15 anos. Só mais tarde teria a oportunidade de fazer ‘renascer das cinzas’ o sonho de infância de trabalhar no setor da restauração, oportunidade que agarrou com unhas e dentes. “Quando surgiu este projeto, e já lá vão 10 anos, eu e o meu marido agarrámo-lo e levamo-lo ao que ele é hoje, ampliando o espaço e tornando-o numa casa mítica do Marco”, recorda orgulhosa a marcoense de 46 anos.

Em tempos ditos “normais”, a Cervejaria Faraó estaria de portas abertas até às 2h00, dando assim a oportunidade de aconchegar o estômago com petiscos àqueles que se aventurassem na ‘noite do Marco’. No entanto, esse desígnio é impedido pela pandemia da COVID-19, que “veio assombrar a vida de todos nós”, com particular ênfase no setor da restauração.

Mesmo assim, Paula e o marido têm conseguido ‘manter o barco à tona’ e evitar despedimentos. “Foi dos setores mais penalizados, como é do conhecimento geral. A estrutura desta casa é bastante pesada, temos cerca de dez colaboradores no quadro da empresa e não efetuamos nenhum despedimento. Face aos confinamentos, tivemos que entrar em layoff e adaptar-nos aos serviços de take away e delivery para podermos fazer face às despesas básicas”, narrou com amargura.

Com os olhos postos nos tempos que se avizinham, a marcoense mantém viva a esperança de que a tempestade vá, finalmente, passar. “Não será um caminho fácil, mas continuamos sempre com a esperança de que este confinamento termine e que possamos trabalhar e servir os nossos clientes com toda a dedicação e segurança”, afirmou determinada.

Paula Teixeira confessa que, mesmo em tempos normais, “nem sempre é fácil conciliar a vida profissional com a família", até porque “o ramo da restauração consome muita dedicação e energia 24 horas por dia”, situação lamentada pela empresária: “Nem sempre consigo dar aos meus a atenção e carinho que necessitam. Os aniversários, convívios e outros eventos vão passando e eu vou perdendo-os. E existem momentos únicos que não se repetem”, lamenta.

Quando convidada a pronunciar-se sobre o papel da mulher na sociedade, Paula afirma que “tem um papel igual ou superior ao do homem”, pois, “para além da sua profissão, consegue gerir o seio familiar”. No seu entender, “hoje em dia, as mulheres cada vez mais se destacam pela sua realização profissional, na qual são muito bem sucedidas, conseguindo gerir vários papéis na sua vida. A mulher conseguiu ser independente e reconhecida pelo seu trabalho. Ela ainda consegue ser filha, mãe, esposa e mulher”, finaliza.