Ser Mulher

Helena Silva: "Resiliência, esforço e sensatez" são o segredo para o sucesso na área têxtil

Ana Magalhães

10-03-2021

Leia um dos 12 testemunhos do especial que o Jornal a VERDADE dedica à mulher ao longo desta semana.

O destino! Uma justificação utilizada várias vezes para explicar um determinado acontecimento. “Foi o destino que nos juntou” ou “foi graças ao destino que hoje estou aqui”. E foi precisamente “graças ao destino” que Helena Silva se aventurou pela área da confeção, na qual hoje é gerente da empresa Pelottas Kids Baby - Indústria têxtil.

Tudo começou quando, após concluir o terceiro ciclo do ensino básico, teve a primeira experiência profissional numa empresa deste setor. “Foi aí que fiz formação, o que se veio a mostrar determinante quando enveredei no projeto no qual me encontro atualmente”, começou por explicar.

Este projeto teve início há cerca de oito anos. A empresária, natural de Constance, encontrava-se a trabalhar para para uma empresa do setor têxtil, num momento em que o país atravessava uma crise económica. “A solução encontrada por muitos foi a emigração, algo que tentei sempre descartar, pois tinha uma filha muito pequena. Gostava da atividade que exercia e por isso tudo fiz para me manter. Surgiu a oportunidade de apresentar os meus próprios modelos e depois as coisas foram acontecendo. Não foi um processo simples, pois é um mercado exigente e competitivo. Requer muito trabalho, muita dedicação e capacidade de adaptação constante”, descreveu.

Atualmente, ocupa o lugar de gerente, mas garante que, dentro da sua empresa, faz um pouco de tudo. “Tanto estou nas máquinas de corte e cose, como na de ponto corrido e até no corte. Também sou eu que penso e elaboro os modelos, tudo passa por mim. Graças à formação que tive quando era mais nova, sei um pouco de tudo e gosto muito de estar sentada numa máquina a coser”, sublinhou.

Helena Silva concilia o seu trabalho, que afirma que “é uma verdadeira paixão”, com outro amor da sua vida: as suas duas filhas. “Tenho duas filhas, com uma diferença considerável de idades, que são o mais importante da minha vida”, garantiu.

Contudo, e devido à pandemia da COVID-19, a empresária tem de encontrar tempo para fazer o acompanhamento necessário, no que diz respeito à escola. “Tento sempre acompanhar tudo e incentivo-as a nunca desistirem”, disse. Apesar da “instabilidade económica” vivida com a pandemia, Helena Silva tenta sempre passar uma mensagem de tranquilidade, acreditando que tudo há-de passar. “Nunca podemos descurar estas duas responsabilidades: a família e o trabalho. Esta dupla função exige uma enorme resiliência, muito esforço e sensatez”, defendeu.

No que respeita à sua empresa, numa primeira fase de confinamento provocada pela chegada da pandemia da COVID-19 a Portugal, Helena Silva, viu-se obrigada a fechar portas. “Fomos todos surpreendidos e, abruptamente, tivemos de interromper a atividade”, referiu.

Entretanto, e depois de umas semanas em 'lockdown', surgiu a oportunidade da confeção de máscaras e acessórios cirúrgicos. “Apesar de ser ‘uma luz ao fundo do túnel’, não garantia o normal funcionamento da atividade”, disse. Dois meses depois do encerramento, a Pelottas Kids Baby - Indústria têxtil retomou a atividade, lidando diariamente com “a incerteza” neste contexto de pandemia. “Temos todas as normas de segurança asseguradas, tanto para os nossos colaboradores como para todos os clientes. É difícil mas conseguimos estar com a porta aberta, que é o mais importante”, acrescentou.

Como empresária e, acima de tudo, como mulher, Helena Silva vê o papel feminino na sociedade como “de grande relevo”, com uma alteração ao longo dos últimos anos. “O tempo mostrou a importância da mulher no mercado de trabalho, acima de tudo pela sua competência. Na família, o papel feminino é inestimável. É esta dicotomia de papéis e o equilíbrio que conseguimos no desempenho que nos tornam, a nós, mulheres ímpares”, frisou.

Em jeito de conclusão, Helena Silva espera que “a evolução positiva” da pandemia, se consolide e que haja uma retoma à normalidade. “Dependemos da abertura do mercado nacional, mas também do mercado externo”, concluiu.