Ser Mulher

Helena Moreira: “Não trabalho com as mãos, trabalho com o coração”

Ana Magalhães

10-03-2021

Leia um dos 12 testemunhos do especial que o Jornal a VERDADE dedica à mulher ao longo desta semana.

Os acasos são vistos, muitas vezes, como responsáveis por mudar trajetos de vida. “Foi por acaso que aconteceu”, ou “foi por acaso que tomei esta decisão”. E foi exatamente “por acaso” que Helena Moreira teve o primeiro contacto com aquela que viria a ser a sua área profissional de eleição.

Depois de acabar o ensino secundário na área da administração e pelo facto de não encontrar emprego nessa área, a mulher natural de Constance foi trabalhar para um horto. "Descobri uma paixão numa área que desconhecia. A partir daí, não me via a fazer mais nada”, contou.

Contudo, com o passar do tempo e com a falta de oportunidade em Portugal, Helena viu-se obrigada a emigrar para França, onde trabalhou na área das limpezas. “Não era a minha praia, só me via no meio das plantas e das flores”, afirmou.

Passado uns anos voltou a Portugal e, aos 35 anos, realizou o seu sonho: abrir uma loja dedicada às plantas e às flores. Está localizada na Rua da Agrela e tem à disposição todo o tipo de plantas e flores. “Fez no final do mês de fevereiro dois anos que abri o meu cantinho. Tem corrido tudo bem. O feedback dos clientes é muito bom, sou muito acarinhada por todos. O que mais gosto é poder servir!”, exclamou.

Helena Moreira acredita que “a chave do sucesso” está na constante evolução e na procura por novas tendências. “É importante não estagnarmos e não fazermos sempre a mesma coisa. Procuro seguir tendências e estar sempre atualizada”, afirmou. Um dos seus mais recentes sucessos é a entrega ao domicílio, principalmente junto dos emigrantes. “As pessoas que estão no estrangeiro entram em contacto comigo para fazer uma surpresa ou aos pais, ou às esposas. Sei o que custa estar fora da família em momentos de festa, por isso, sinto-me especial em poder encurtar a distância entre estas famílias”, destacou.

Apesar de, inicialmente, as entregas ao domicílio serem mais procuradas por emigrantes, com a chegada da pandemia, este serviço alargou-se a pessoas que se encontram em Portugal. “No Dia dos Namorados fiz imensas entregas. Correu muito bem! Sinto-me muito especial em poder fazer a diferença na vida das pessoas”, admitiu.

O Nosso Jardim não fechou portas devido à pandemia da COVID-19, mas Helena Moreira teve de adaptar todo o seu espaço para receber, da melhor forma possível, os seus clientes. “No primeiro confinamento atendia à porta, mas neste deixo entrar dois clientes de cada vez. Adotei todas as normas de segurança”, garantiu.

Para a empresária, a maior dificuldade no que à pandemia diz respeito reside na conciliação do seu trabalho com o papel de mãe. “Há alturas em que tenho de fechar para ir buscar fichas de trabalho para o meu filho. A minha sorte é o meu pai, que me ajuda muito. Como o meu marido está a trabalhar no estrangeiro, se não fosse o meu pai, seria muito mais complicado”, referiu.

“Há dias em que tenho de ir buscar flores e chego a casa às 21h00. Esta profissão é muito bonita, mas acaba por ser um pouco ingrata. Nas épocas festivas trabalhamos até à última e não temos horas para chegar a casa”, descreveu.

Apesar desta parte “menos boa”, Helena não se via a fazer outra coisa. “Sou feliz no que faço! Chegar ao fim do dia e sentir-me realizada não tem preço”, afirmou. E acrescenta: “Tudo o que faço é de coração! Os clientes dizem que não trabalho com as mãos, mas sim com o coração”.

A empresária vê, por fim, a mulher como “peça fundamental na sociedade”, lugar que foi conquistado com muito esforço. “Estamos em todas as áreas e temos conseguido conquistar muitos domínios. Tem sido uma conquista dura… Somos mulheres, somos mães, somos filhas, somos tudo. Fica-nos muito caro, mas vale a pena”, finalizou.