Ensino & Escolas

Novo diretor do Agrupamento de Escolas de Resende: "Nada substitui o ensino presencial"

José Rocha

01-02-2021

Leia a entrevista ao recém-eleito António Marques.

A partir da próxima semana, as escolas de Portugal voltam a entrar no modo de ensino à distância, decretado pelo Governo face à atual situação epidemiológica vivida no país. É neste contexto que se prepara para assumir funções António Marques, eleito novo diretor do Agrupamento de Escolas de Resende (AER) na passada sexta-feira, dia 29 de janeiro. A eleição, refira-se, teve a curiosa particularidade de só ficar decidida à terceira vez, tendo-se registado um empate nas duas anteriores.

Em entrevista ao Jornal A VERDADE, o homem que, apesar de ter nascido em Moçambique, se considera "um são ciprianense e resendense" abordou os pormenores relativos a esta particular eleição e revelou-nos quais os objetivos do mandato, que se inicia na segunda quinzena de fevereiro. António Marques, que faz esta terça-feira 57 anos, falou ainda da situação do ensino à distância, a qual considera "um mal necessário", mesmo que "nada substitua o ensino presencial".

- O que levou a que a sua eleição tivesse demorado tanto a consumar-se?

Na verdade, foi uma eleição difícil, em 8 e 13 de julho de 2020, o resultado foi um empate a 10. No passado dia 29 de janeiro, fui eleito por 11 - 10. Provavelmente, demorou tanto a sair 'fumo branco' porque os elementos do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Resende (é este o órgão que elege o diretor) tinham em mão dois projetos de intervenção bons...

- Quais os objetivos para o mandato?
Apresentei nesta candidatura um projeto de intervenção "Uma nova liderança, para uma nova atitude". Dirige-se aos diversos protagonistas de ação educativa, com o objetivo de participarem na definição das diferentes ações, assumindo essa participação como um contrato que compromete e vincula todos os membros da comunidade educativa, numa finalidade comum à escola: uma escola inclusiva de sucesso - colaborativa, participativa, solidária, humanista e desafiadora - que responda a todas as necessidades e expectativas de todos os seus envolvidos.
Assim, estaremos a promover um espaço educativo de sucesso e de autonomia, com grande sentido de responsabilidade. Pretendo exercer uma liderança aberta, que vê a escola como uma organização impulsionadora de mudanças, com uma visão estratégica constituída e construída num processo reflexivo e de visão partilhada, que envolva toda a comunidade educativa.
- Tendo em conta o atual contexto, quais os principais desafios?
O principal desafio será assegurar que todos os alunos, docentes e não docentes se sintam realizados e felizes na frequência dos estabelecimentos de ensino do AER, garantindo um serviço educativo e cultural pertinente e de qualidade a todos os alunos, sem exceção, disponibilizando as condições necessárias para que alcancem o sucesso nas suas aprendizagens cognitivas, atitudinais, socio-afetivas e morais, no sentido de se formarem como cidadãos ativos, democráticos, livres e solidários capazes de conviver uns com os outros na diversidade, na tolerância e no pluralismo.
- Qual a sua opinião sobre o ensino à distância?
Nada substitui o ensino presencial. Face ao contexto de pandemia que vivemos é um mal necessário. No entanto, quero tranquilizar a todos os encarregados de educação, na medida em que o agrupamento de Resende é constituído por professores, educadores de infância, técnicos, assistentes técnicos e operacionais de muito valor e competência.

- Que mensagem deixa à comunidade escolar?
Quero deixar uma mensagem de serenidade e tranquilidade.

O meu projeto de intervenção assenta numa visão partilhada, que incita a participação de toda a comunidade educativa e instituições de referência do concelho para um trabalho colaborativo. Estão todos convidados para participar na construção de um agrupamento mais capaz, mais solidário, mais humano, mais desafiador e mais preparado para as exigências do século XXI.

Contarei com todos e em particular com cada um.

Tenho a confiança necessária de que é possível melhorar as aprendizagens e as competências dos nossos jovens, preparando-os melhor para a vida ativa.