Nuno Pereira é natural de Marco de Canaveses e piloto de Hard Enduro. Além dos prémios que já conquistou, já teve “muitas aventuras” no seu percurso “à volta do mundo”.

Uma das situações mais marcantes da sua carreira aconteceu em 2015, quando ainda “não tinha muita experiência”: “Fui fazer a primeira corrida internacional à Roménia e, na ida, enganei-me a colocar o destino no GPS”. Este erro trouxe uma oportunidade única de passar 24 horas na Sérvia, mesmo não tendo sido esta a melhor experiência do piloto. 

“Depois de entrar na Sérvia a polícia enviou-nos para um descampado, onde estavam várias pessoas vestidas à civil, com arma à cinta”. Foi aqui que começou uma experiência totalmente diferente do que seria o primeiro campeonato internacional da sua vida. Nuno Pereira viu-se preso, com a sua equipa e o equipamento necessário para a prova, na Sérvia, sem facilidade para sair do país e retomar o caminho. “Aquilo foi tamanha confusão que só 24 horas depois e após muitas negociações, já com muitas ameaças e com o consulado português envolvido é que conseguimos sair da Sérvia”, explica.

Hoje em dia, o piloto de Hard Enduro revela que esse é um destino pelo qual evita passar para chegar aos seus destinos finais: “Contorno sempre a Sérvia, porque, a partir daí, fiquei com muito medo e nunca mais tive o à-vontade para passar por lá”

Embora esta tenha sido uma experiência desafiante, Nuno Pereira recorda as três corridas que mais o marcaram, sendo elas em países diferentes, com desafios distintos, acabando por fornecer ótimas vivências e tempos de prova, conta. O “Red Bull Romaniacs Hard Enduro Rally, na Roménia”, foi uma das competições mencionadas, onde alcançou o segundo lugar na sua classe. A corrida Red Bull Sea to Sky, na Turquia, na qual foi “o primeiro português a terminar a corrida e conseguir a medalha de ouro” e, por fim, a Roof of África (África do Sul), onde conseguiu o terceiro lugar e foi “dos primeiros europeus a conseguir um pódio”. Esta última marcou o piloto de Hard Enduro, não só pelas dificuldades da corrida, mas também pelas peripécias que passou para conseguir chegar à África do Sul.

Nuno Pereira descobriu a sua paixão pelo mundo das motos em 2008, quando assistiu a uma prova de Enduro em Marco de Canaveses e, a partir daí, nunca mais parou. Foi logo no mesmo ano que comprou a sua primeira moto e, seis meses depois, já estava a competir nos campeonatos nacionais. “Comecei a andar de mota e percebi que tinha o dom, por isso, comecei logo a fazer corridas e já lá vão 15 anos”, lembra. 

Mas como nem tudo são rosas, o piloto Nuno Pereira também teve fases menos boas, mas que, mais tarde, trouxeram novas oportunidades. Depois de ter um acidente que o obrigou a parar três anos, decidiu que ia realizar o seu sonho e participar no campeonato de Hard Enduro. “Queria fazer todas as provas da Red Bull, em qualquer localização mundial, projeto que comecei em 2014 e, por isso, nunca mais tive oportunidade de fazer campeonatos nacionais”, disse.

No entanto, este ano, tudo mudou quando o piloto, em tom de “brincadeira”, voltou a competir nos campeonatos nacionais de Enduro, mesmo não sendo esta a modalidade que pratica profissionalmente. “Este ano, por uma brincadeira e por sentir falta de ganhar agressividade, comecei no Enduro e, sem querer e sem estar à espera disso, está a correr bem. Comecei a ganhar na classe que estou inserido, mas também na classe absoluto”, refere. 

Embora este processo e os resultados positivos que tem tido, como foi o caso da prova dos Açores que o leva agora para Góis, não fossem esperados pelo piloto, Nuno Pereira ambiciona ser campeão: “Tenho que ser campeão da minha classe e queria ser campeão absoluto, porque é importante para o campeonato nacional e é importante para mim”.

Foto: DR

O piloto menciona várias vezes nas suas redes sociais que “velhos são os trapos”, dirigindo-se às motas que usa nos campeonatos nacionais, fazendo disso uma forma de protesto, visto que, conforme explica, para os pilotos do motociclismo é difícil conseguir patrocínios por parte das grandes marcas associadas ao desporto. “As marcas não vendem motos a preços especiais para pilotos. O mercado é pequeno, mas também ninguém se esforça muito para ajudar os pilotos, por isso, nas competições nacionais uso sempre motas mais antigas, fora do mercado, como forma de protesto”, indica.

Para além disso, Nuno Pereira, sente que esta sua forma de pensar, pode ser uma motivação para os pilotos que estão a começar agora a sua carreira no Enduro ou Hard Enduro, deixando, assim, a mensagem que é possível conseguir mais e melhor mesmo com poucos recursos. “Tento andar com motas mais desatualizadas e fazer grandes resultados de forma a que as marcas percebam que precisam de alargar um bocadinho os horizontes, mas também para mostrar aos mais novos e aos que estão a começar agora que é possível fazer grandes resultados mesmo que não se tenha a melhor mota”. 

A carreira de Nuno Pereira traz-lhe várias oportunidades, não só a nível profissional, mas também a nível pessoal. O piloto recebe vários convites para viajar o mundo, não só para competir, mas também para mostrar a sua arte aos mais interessados. “Surgem várias oportunidades para fazer uns tours, para dar algumas formações. Embora a minha vida já não permita mais, tenho sempre convites de vários lugares e sempre que posso tento sair do país para correr ou para dar algumas aulas”, conta. A última aventura do piloto foi uma viagem à Malásia, descrevendo-a como “uma brincadeira de amigos”.

Texto redigido com o apoio de Ana Ferrás, aluna estagiária da Universidade Fernando Pessoa.