Foi de mochila às costas que Joana Ribeiro partiu de Lousada rumo a um “desafio interessante” em Luanda, capital de Angola.

Licenciada em Educação Básica e mestre em ensino especial, Joana Ribeiro estava a dar aulas de música e inglês em Marco de Canaveses, em 2017, quando surgiu a oportunidade de ter uma experiência profissional além-fronteiras. “Fui abordada por uma vizinha, que me perguntou se queria ir para Angola, porque tinha uma amiga que estava lá e precisavam de professores”, recorda.

Inicialmente, achou a ideia “um pouco absurda”, mas encarou como um desafio “muito interessante, porque aquilo que se pretendia na escola (onde está atualmente) é que fosse dedicado ao primeiro ciclo e eu gosto”.

Para a sua ida, faltava apenas uma condição: “levar uma amiga, porque assim me sentiria mais confortável”. Condição aceite e assim foi, aos 32 anos, em janeiro de 2018, “de mochila às costas” rumo a Luanda.

O que seria apenas para um ano, “já vai em quatro anos. Quando fui pensei que faria o segundo e terceiro períodos e, no máximo, em agosto voltava a Portugal. Fiquei com uma turma do primeiro ano, mas não consegui desligar-me deles e fiquei com eles até ao quarto ano. Continuo porque gosto daquilo que faço. Estou mesmo de boa vontade”.

Joana Ribeiro foi dar aulas para um colégio português e a única diferença que encontrou foi estar noutro país e “estar longe da família e dos amigos. A adaptação correu super bem. Encontrei pessoas da minha zona que me acolheram muito bem e, por isso, o choque de realidade não foi tão grande como aquilo que se diz”.

As diferenças “existem” mas Joana foi “sem expetativas” para “não ter nenhum choque de realidade. Claro que existe diferença e custa ver crianças na rua a pedir, mas parte de cada um, fazer a sua contribuição social. No meu caso, se sobrar comida não deito fora. Todos os sábados de manhã quando vou à padaria, sempre que passo por aquelas crianças na rua, faço questão de lhes dar o pequeno almoço”, conta. 

A vida em Luanda é “normal como em Portugal. Vivo numa zona tranquila, na periferia da cidade, porque o centro é confuso e muito caro. Vou para todo o lado, a pé ou de carro, sem qualquer problema. Além das coisas más, Angola é um paraíso a nível de clima, praia e comida”.

As saudades continuam a existir, mas a internet “facilita muita coisa. Já há voos todos os dias e faz-se tudo com muita regularidade”. Voltar a Portugal está nos planos futuros de Joana. “Não sei é quando, porque a nível de qualidade de vida usufruo de situações que nunca vou ter em Portugal”, diz.

Joana Ribeiro não tem dúvidas de que a experiência é uma aventura que a tem “mudado. Como profissional tenho crescido imenso e sinto que estou a aprender muito, porque lido com pais que valorizam o papel de professor. Agora olho para as coisas de maneira não tão materialista como todos nós fazemos e faço alguma reflexão”, revela.

A jovem emigrou pela “aventura” e recomenda a experiência “a todos os jovens que possam sair da zona de conforto”. Em Angola, Joana confessa que não se sente emigrante. “Como já foi uma colónia nossa, não somos emigrantes, mas sim expatriados e respeitados como tal”.