O Espaço Douro & Tâmega da Dolmen, em Amarante, acolheu esta sexta-feira, dia 30 de setembro, a sessão de encerramento do Grupo Operacional “Pequenos Ruminantes”.

O evento contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Rui Martinho, entre outros convidados.

Em declarações ao Jornal A VERDADE, o secretário de Estado, afirmou que será mantido o esforço “que temos vindo a fazer de apoio aos territórios, através dos grupos de ação local”, como é o caso da Dolmen, acrescentando que “há a necessidade de vermos e de ajustarmos os instrumentos que têm vindo a ser seguidos, na medida que nos permita responder melhor às necessidades do território e obter resultados de forma mais eficaz do que aquilo que tem acontecido, ultrapassando as dificuldades com que nos temos confrontado”, disse.

O governante explicou ainda que foi esse o desafio deixado à Dolmen. “Vamos fazer agora esse trabalho, vamos identificar onde é que há ajustamentos a fazer e estamos totalmente disponíveis para trabalhar em conjunto e procurar as respostas adequadas a essas questões”, garantiu.

Sobre a ação do grupo operacional dos “Pequenos Ruminantes”, Rui Martinho recordou que este se enquadra “numa medida muito mais vasta, que são os Grupos de Ação Local”, que pretende “privilegiar o trabalho em rede, na produção de conhecimento e na sua difusão, isso é absolutamente essencial. O exemplo que aqui tivemos foi justamente o de apresentar um trabalho feito no sentido de identificar um problema, ver quais são as soluções mais adequadas e agora temos de assegurar que este trabalho e o resultado desse trabalho, que foi produzido no âmbito desses grupos operacionais, chegue aos produtores que são aqueles que são a justificação da nossa atuação nesta matéria, quer da parte dos decisores políticos, quer daqueles que no território trabalham”.

Rui Martinho sublinhou ainda que “cada grupo de ação local trabalha numa determinada matéria em função das características e das necessidades dos seus territórios. O que aqui hoje foi apresentado foi um trabalho no âmbito da criação de pequenos ruminantes, que neste território é essencial, em várias perspetivas, é essencial na sua componente económica, de permitir criar riqueza para as pessoas que aqui habitam. É essencial para manter a ocupação dos territórios, mas também é muito importante, por exemplo, na perspetiva do pastoreio, que estes animais asseguram no território, na diminuição da carga de combustível e com isto tornam os territórios mais resilientes aos incêndios, diminuindo, senão a frequência, pelo menos a intensidade com que somos confrontados pelos incêndios”.

O secretário de Estado frisou ainda que “os pequenos ruminantes são uma área de atividade que responde a vários objetivos, várias preocupações da sociedade portuguesa. Temos que encontrar formas, nomeadamente ao nível da organização, ao nível da melhoria das condições de produção, para valorizar cada vez mais os produtos que saem destas fileiras, que têm, à partida, um valor e uma qualidade extraordinária, mas temos de ser capazes de acrescentar valor e de levar esse valor até ao consumidor. Isso implica organização, implica vender melhor, valorizar mais, esse é um trabalho que seguramente está a ser desenvolvido no âmbito de outros grupos operacionais como este”, concluiu.

Na sua intervenção, o presidente da Dolmen, Gabriel Carvalho, havia apelado ao secretário de Estado para não deixar fugir os grupos de ação local, como a Dolmen. O dirigente considerou no final que a resposta do governante “foi satisfatória, mas nós queremos sempre ir mais além, e como conhecemos muito bem este território, estes seis concelhos, sabemos muito bem quais são as suas necessidades. Executamos as verbas que até agora estavam definidas para o território e para serem geridas pela Dolmen e quando chegamos a este final conseguimos reconhecer quais as dificuldades desses programas e aquilo em que podem ser melhorados”, constatou.

O presidente da Dolmen garantiu que há a consciência de poder fazer mais. “Estando cá no território, conseguimos chegar a mais áreas e a mais setores. Exemplo disso é o trabalho que fizemos agora nos Pequenos Ruminantes, mas que também fizemos noutros âmbitos. Conseguimos ir mais além, conseguimos fazer mais, estamos é à espera que o Governo de Portugal, as instituições da administração central, olhem para a Dolmen e olhem para os grupos de ação local nessa perspetiva de estarmos mais próximos dos investidores, das populações que necessitam deste financiamento e sabemos como o fazer melhor, porque conhecemos o território”, defendeu.

Sobre o projeto dos Pequenos Ruminantes, Gabriel Carvalho constatou que esta é “uma fileira económica importante”, existindo, neste momento, cerca de 14 mil cabeças de ovinos e caprinos na região. “Sabemos que é o mercado local que esgota esta produção, ou seja, os nossos criadores podem ir mais além e podem surgir novos criadores no território, basta que as pessoas estejam interessadas em seguir essa vertente da economia. A isto queremos chamar jovens e queremos chamar outras pessoas que venham para o território, ou que estejam no território e que peguem neste setor. Ele é importante e há espaço, porque há procura, e não há procura só na região, há procura também fora”, disse.

O evento serviu ainda para a apresentação de um Manual de Boas Práticas que está agora disponível, sendo “acessível a todos, àqueles que já desenvolvem esta atividade e que podem encontrar ali informação importante para gerir melhor os recursos, os animais que têm, mas também para aqueles que possam ver nos pequenos ruminantes uma oportunidade, e que precisem deste manual e do apoio técnico de outras entidades que participaram connosco, para desenvolver a sua atividade. A Dolmen está de portas abertas, queremos é que as pessoas nos procurem e queremos auxiliá-las também a fazer o trabalho connosco no território”, frisou.

De destacar que o programa de hoje contou com a receção a cargo de Gabriel Carvalho, da Dolmen, e de Ana Reis, da Câmara Municipal de Amarante.

Seguiu-se a apresentação do Manual de Boas Práticas, que esteve a cargo de Filipa Teixeira Rodrigues e Ana Patrícia Lopes, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Depois, foi a vez de Luís Miguel Pinheiro falar sobre “A importância do cooperativismo e organização da produção, no futuro da fileira – o exemplo da COBADU”. 

Antes do encerramento, teve ainda lugar uma mesa redonda sobre os Desafios e Oportunidades do Setor, que teve moderação de Domingos Amaro, do Centro Veterinário de Vila Meã, e as participações de Fernando Moreira, da ANCRA, de Joaquim Madureira, da ACRIBAIMAR, de José António Teixeira, da Cooperativa Agrícola de Amarante, do criador Abel Francisco, de Elsa Machado, da DGAV, e de Carla Alves, da DRAPN.