O Auditório da Escola Secundária de Lousada foi ontem, pelas 21 horas, palco da segunda edição do projeto “Mentes Brilhantes”, contando com a presença de duas personalidades com papéis relevantes na área dos Direitos Humanos, a lousadense Marta Valiñas e a ex-eurodeputada Ana Gomes.

A segunda edição do projeto “Mentes Brilhantes”, criado pelo município de Lousada, abordou a temática dos Direitos Humanos, contando com a partilha dos testemunhos de vida e experiências diplomáticas de Marta Valiñas e Ana Gomes, que apontaram para um avanço civilizacional e quais podem ser os contributos dos cidadãos.

Marta Valiñas, desde muito jovem apaixonada pela área dos Direitos Humanos e fascinada pelas respostas às desigualdades, partilhou a convicção de que “uma simples conversa entre amigos pode ser um grande contributo e ponto de partida para a tolerância, respeito pela diferença e dignidade do outro”. Opinião partilhada pela colega de painel Ana Gomes que revê na luta dos Direitos Humanos “o combate essencial pela salvação da democracia”. 

Quando questionada com o papel da União Europeia na luta pelos Direitos Humanos e o poder para intervir respeitando as leis de cada sociedade, Marta Valiñas salientou a importância do diálogo e de apoiar quem denuncia, “princípios que o poder continua a ignorar”. Um poder que, na opinião de Ana Gomes, se debate com “contradições e é urgente identificar soluções eficazes”.  

Marta Valiñas nomeada, em 2019, pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, para liderar a Missão Internacional Independente de Determinação dos Factos sobre a Venezuela, apresentou na sua perspetiva, aquelas que poderão ser as principais ameaças aos Direitos Humanos. Apontou para os “governos e líderes que usam discursos extremistas baseados no medo, conflitos prolongados para os quais as instituições responsáveis não têm capacidade de resposta, assim como políticas que respondem a violência com violência”.

Por sua vez, Ana Gomes, que chefiou a Missão Diplomática portuguesa na Indonésia durante o processo de independência de Timor-Leste, sublinhou a importância de não abdicarmos, enquanto cidadãos, “de fazer o que está ao nosso alcance” e que a cidadania “tem de ser exercida também dentro instituições”.

Reformar e repensar os fóruns unilaterais, conhecer as condições e aproveitar todos os canais de comunicação, foram soluções apresentadas por ambas. Dois testemunhos distintos, mas que apontaram para o empoderamento dos cidadãos no mundo, resultado do enraizamento dos direitos humanos e para a importância de uma educação que desenvolva uma consciência crítica individual e global.

Texto elaborado por Patrícia Cunha