Celebra-se esta quarta-feira, dia 6 de abril, o Dia Mundial da Atividade Física, que visa incentivar a população para a prática de atividade física e mostrar os benefícios do exercício.

A prática de atividade física está, cada vez mais, incutida nas rotinas diárias de todos e ultrapassa género, idade ou condição física e promove ferramentas sociais importantes. Nesse sentido, o desporto adaptado assume-se como um dos fatores promotores de inclusão e desenvolvimento psicossocial e de combate à discriminação das pessoas com deficiência.

Propósitos que conduziram à criação do projeto Lousavidas, em 2014, “que se iniciou para proporcionar o desenvolvimento da atividade física para pessoas com deficiência”, conta a presidente da direção, Fátima Esteves, ao Jornal A VERDADE. 

Atualmente, existem atividades adaptadas em quase todas as modalidades para as pessoas com deficiência, como o basquetebol adaptado que surgiu na Lousavidas em 2017, com apenas três atletas, um número que foi aumentando ao longo dos anos.

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes, de 37 anos, faz parte do número de atletas que decidiu ingressar na equipa e provar que o desporto é para todos. Alguns cadeirantes ficaram nessa condição, como o atleta que, em 2002, sofreu um acidente de mota que lhe causou uma fratura na coluna modelar e, com apenas 17 anos, o deixou paraplégico.

O desporto entrou na vida do atleta em 2006, “através de amigos” que lhe propuseram a entrada numa equipa de basquetebol adaptado e onde esteve quatro anos. “Entretanto mudei de residência e fui para Leiria, onde ingressei numa outra equipa durante mais quatro anos”, explica Sérgio Gomes, que em 2018 ingressou na equipa de basquetebol da Lousavidas e onde é o capitão da equipa.

O início da prática desportiva surgiu para se “sentir bem” consigo mesmo e trouxe-lhe uma “autonomia” que não teria de outra forma”, confessa. Através do desporto, Sérgio Gomes teve a possibilidade de “viajar pelo país e além fronteiras, conhecer várias pessoas, outros tipos de patologias e realidades”, salientando também “a competitividade e a liberdade porque não estamos limitados a uma cadeira”.

Em Portugal …O único aspeto negativo que aponta é o custo do material desportivo que “é extremamente caro”, uma vez que não se tratam de cadeiras “normais. É um desporto muito caro. Uma cadeira de rodas tem um valor de cerca de quatro mil euros, porque é uma cadeira específica feita à medida dos atletas e de cada patologia”, explica Sérgio Gomes 

O atleta gosta de se sentir ativo e incentiva outros na mesma condição a seguir o seu exemplo, “a sair de casa e a praticar desporto, porque além de beneficiar a saúde, faz-nos sentir livres. O exercício é uma forma de liberdade”, garante. Para além de basquetebol em cadeira de rodas, Sérgio Gomes pratica outras modalidade como o paraciclismo e atletismo, mas também já experienciou o andebol e o boxe.

Para aqueles que, tal como ele, estão a passar por uma situação semelhante, o marcoense deixa o conselho: “primeiro, é importante procurar apoio familiar, que incentive à prática desportiva. Depois, é importante enfrentar a vida da melhor forma, porque não é uma cadeira de rodas que nos vai limitar nem nos proibir de concretizar os nossos sonhos“.