A Intensimpacto é uma empresa no ramo da construção e obras públicas, criada há 25 anos, que poderia ser igual a tantas outras, não fosse ela gerida por duas mulheres de gerações distintas.

A área da construção é de imediato associada à figura masculina e quando falamos em empresários ou cargos de chefia mais ainda, mas Laurinda Ferreira e Natividade Morais, mãe e filha, provam que a gestão da mulher é diferenciada pela sua capacidade multitasking e eficiência na gestão financeira característica que define muito as mulheres.

Regressaram a Portugal há 13 anos, depois de uma vida de emigrantes nos EUA, onde aprenderam que é necessário ter um espírito de sacrifício quando se está à frente de um negócio. “Não é necessário emigrar para se ganhar dinheiro, é preciso querer trabalhar”, defenderam.

Ensinamentos estes que foram transmitidos à sua filha desde cedo. Criar as filhas, gerir a vida familiar e uma empresa foi fácil para Laurinda Ferreira que sempre contou com o apoio de Natividade Morais, o seu braço direito. “Quando começamos a empresa, nos Estados Unidos, não tinha conhecimentos de informática, porque era tudo manual”, conta a mãe que revela ainda que teve o primeiro computador quando a filha tinha cinco anos. “Ela estudava mas ao mesmo tempo ajudava na empresa”, acrescentou.

Natividade Morais formou-se na área da saúde, mas crescer “no meio da construção” fê-la regressar à essência familiar. “Ia casar, pensava constituir família e pensei nos prós e contras de cada uma das áreas”, e apesar de considerar que não é fácil trabalhar com a família, percebeu que “a flexibilidade e a agilidade vale mais do que qualquer ordenado que poderia ter na área de formação”.

Tem na mãe um exemplo a seguir e perceber que conseguiu alcançar os objetivos sem tanto sacrifício como os pais, que tiveram de emigrar para dar às filhas uma vida melhor, é um orgulho. “Foi esse o exemplo que tive dos meus pais, sempre aprendi a trabalhar e a lutar pelos nossos objetivos”, salientou.

A divisão trabalho e casa “nem sempre foi fácil”, mas quando Natividade Morais decidiu trabalhar com os pais, teve de a impôr para o bem de todos. “Empresas familiares têm os seus prós e contras. No entanto, na balança os prós ganham aos contras e sinto que estou a deixar um legado para as próximas gerações”, referiu Natividade Morais.

Será que ainda existem homens que vêm com estranheza serem chefiados ou comandados por uma mulher? Pela sua experiência, Natividade Morais não tem dúvidas de que é uma realidade. “Há homens que não aceitam ser mandados por mulheres e ainda lhes custa muito aceitar que as mulheres percebem a parte técnica de uma obra”, conta

Um preconceito que atravessa gerações e clientes que no início, “quando conhecem a empresa ligam para o meu pai a confirmar a informação”, mas com o passar do tempo percebem o funcionamento da empresa. O senhor Manuel, marido e pai, está mais ligado à estrutura e Laurinda Ferreira e Natividade Morais, “pela sensibilidade feminina que ajuda a tornar as coisas mais funcionais” estão mais presentes nos pormenores e acabamentos. Características que fazem a diferença na forma de trabalhar no terreno e que deixa mãe e filha orgulhosas.

Maioria homens, os funcionários veem com normalidade o facto de serem comandados por duas mulheres, até porque como nos revela Laurinda Ferreira, “quando começaram a trabalhar não tiveram outra opção”. Hoje, a filha garante que os funcionários conseguem confiar e ver nela uma figura de responsabilidade e que apesar da construção ser um mundo “dominado por homens”, aconselha todas as mulheres, que pretendam entrar na área, a lutar. “A construção não é exclusivamente para os homens, nós mulheres se nos empenharmos e quisermos conseguimos fazer as coisas tão bem ou melhor do que eles. Para nós, ter uma reunião às 7h00 da manhã para iniciar uma obra não é obstáculo”.

Ser, muitas vezes, a única mulher em reuniões, a mais nova e conseguir acompanhar as conversas, é um orgulho para Natividade Morais partilhado também por Laurinda Ferreira. A mãe revela um “orgulho imenso” na filha que sempre foi o seu braço direito e lhe dá mais confiança “para ultrapassar os obstáculos que vão surgindo no decorrer da atividade profissional”.