‘Obrigado’ é uma palavra que, na sua forma mais simples, mostra educação por um certo gesto, mas também pode traduzir um sentimento de gratidão e reconhecimento quando mais palavras faltam. Hoje, dia 11 de janeiro, é Dia Internacional do Obrigado e o Jornal A VERDADE traz uma história de agradecimento de uma jovem às suas duas mães.

Adriana Costa é de Penafiel e tem 26 anos. Cresceu com duas mães e dois pais: os avós, com quem vive há cerca de 20 anos, e os pais, que estão emigrados.

A Passagem de Ano de 2000 para 2001 a jovem recorda “como se fosse hoje”. O clima era de festa em família, no baile que o avô paterno tinha organizado na sua garagem, e a mãe estava consigo ao colo a dançar. Entretanto, surgiu uma conversa que não estava à espera; a mãe explicou-lhe que “tinha que emigrar para França para terem uma vida melhor e que eu ia ficar bem entregue com a avó e ficava melhor cá em Portugal naquele momento porque ainda não tinham trabalho definido nem um sítio onde ficar”.

Com seis anos, ainda não tinha muita consciência do que é que seria. Só no dia em que eles foram é que fiquei muito triste e a minha avó também. Mas claro que, hoje em dia, já tenho a consciência totalmente diferente, percebo perfeitamente a escolha e sem dúvida que fiquei muito bem entregue.

O casal rumou a França, de onde o pai é natural. Primeiro, ficaram em casa de uns amigos “até arranjarem um cantinho para eles”, mas hoje já têm uma casa e regressam a Portugal na altura do verão, Natal e, alguns anos, na Páscoa e Adriana também vai visitá-los quando pode.

Adriana Costa ficou a cuidado dos avós maternos, sendo a avó Eugénia uma segunda mãe, “sem dúvida”. “A minha avó foi quem me criou e educou. Sou a mulher que sou hoje muito graças a ela. Claro que a minha mãe, mesmo estando longe, também está sempre presente a nível de educação e de tudo aquilo que for preciso”, refere. Foi também a avó que puxou pelos seus talentos, como “teatro, rancho”, e que a incentivou nos estudos.

Adriana “andava sempre com ela”, até mesmo no dia em que a avó fez o exame de código e de condução. A decisão de tirar a carta foi por ser uma “mulher desenrascada”, mas também “muito para poder levar” a neta onde precisasse.

O contacto com os pais era feito através de cartões pré-pagos que a mãe tinha e lhe trazia, depois, “como recordação” e ainda pelas cabines telefónicas. Hoje em dia, com as videochamadas e mensagens, tudo ficou mais fácil e “ajuda muito na parte das saudades”, mas um hábito que mãe e filha tinham e ainda mantêm é o de enviar cartas e postais uma à outra.

Neste Dia do Obrigado, Adriana Costa quer agradecer às suas duas mães: “por tudo aquilo que fizeram por mim, os sacrifícios que tiveram que fazer na vida, por estarem sempre lá do meu lado e me apoiarem em tudo e, principalmente, por me fazerem ser quem sou hoje. Por isso, muito obrigada!”.