A radiologia é uma área da saúde que consegue aliar a dimensão humana e a tecnológica. Para o radiologista Raul Alves, é juntar o melhor de dois mundos. Esta terça-feira, 8 de novembro, assinala-se o Dia Mundial da Radiologia e o Jornal A VERDADE foi conhecer mais sobre a profissão do marcoense.

Costuma dizer-se que nada acontece por acaso e, no caso de Raul Alves, que não tinha entrado no curso de Enfermagem, como na altura desejava, Radiologia foi o seu destino de estudo e tornou-se uma paixão.

Desde há quase 15 anos que exerce a profissão na Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses. Muitos utentes já passaram pela sala onde trabalha todos os dias, geralmente, sozinho. Uns que criam mais empatia e dos quais se recorda até hoje e outros que acompanha há quase tanto tempo como tem de profissão.

“Acho que todos os dias, se quisermos, podemos aprender um bocadinho com toda a gente, quer para o positivo, quer para o negativo”, sublinha, reconhecendo que é “complicado” trabalhar com o contacto com pessoas, mas que, por vezes, se cria uma ligação.

“Temos de gerir o nosso trabalho e temos de gerir a relação com a pessoa. No meu caso, tenho de gerir também a vontade que a pessoa faça o que eu quero, o que, às vezes, também não é fácil, principalmente, quando lhes causa algum desconforto. Mas vai se conseguindo”, afirma. “Depois, há pessoas que acabam por criar alguma relação connosco. Por exemplo, no caso de doentes que são lá seguidos ou que nos procuram para fazer aqueles exames de seguimento, no fundo, depois, acaba por haver já ali uma certa relação, já um certo conhecimento. Uma pessoa acaba por ir acompanhando o percurso da pessoa… muitas vezes, até ao envelhecer”, continua.

No que toca a outro tipo de desafios, há algumas comorbilidades físicas que implicam uma adaptação e, por vezes, até mesmo, “um bocadinho de imaginação também” durante o momento do exame. “As pessoas não são todas iguais, principalmente, dentro de um hospital, as pessoas não têm todas a mesma forma física. Há uma série de comorbilidades físicas às quais nos temos de adaptar e não propriamente as pessoas a nós, porque eles não conseguem”, acrescenta.

Além disso, Raul Alves sublinha o facto de a sua área “acompanhar um bocado a tecnologia”. “Por exemplo, o aumento da velocidade das redes de Internet faz com que os exames consigam andar em suporte informático com muito mais facilidade, os próprios computadores terem uma capacidade de processamento de imagem também nos permite fazer outras coisas em termos de imagem com muito mais rapidez… quanto mais potentes são os computadores, mesmo a nível de microchips, de detetores de radiação, de imagem, mais rápidos são, inclusive, os aparelhos”, explica.

O profissional admite que a parte da tecnologia é algo de que gosta e recorda que, antes, “uma tac cerebral demorava três, quatro minutos a fazer e a imagem ia aparecendo com muita calma; hoje em dia, faz-se em segundos”.

Raul Alves acredita ainda que é necessário entender que a Radiologia pode “ser o caminho para resolver o problema”, mas que não é a solução por si só. “Não curamos, mas participamos, fazemos parte do caminho. A radiologia acaba por ser, muitas vezes, em muitos aspetos, a visão médica”, conclui.