O Livro Branco “Mais e melhores empregos para os jovens”, realizado pela Fundação José Neves, pelo Observatório do Emprego Jovem e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho para Portugal, faz um diagnóstico do mercado de trabalho dos jovens. De acordo com os dados recolhidos, “o emprego dos jovens portugueses é de baixa qualidade e o desemprego em Portugal afeta sobretudo os mais jovens”.

Em Portugal, o emprego jovem “continua a ser de baixa qualidade e esta tendência é acentuada durante as crises económicas”, refere um comunicado, indicando que “a vulnerabilidade do emprego dos jovens, mesmo dos mais qualificados, é também verificada na transição para o mercado de trabalho”.

Desde 2015, a taxa de desemprego dos jovens com menos de 25 anos tem sido “mais do dobro da população em geral” e durante a pandemia “chegou a ser 3,5 vezes superior”.

De acordo com o Livro Branco, cujo estudo foi objeto de uma auscultação pública, que incluiu representantes dos parceiros sociais e que decorreu no dia 15 de julho, são vários os motivos por detrás destes números.

A diminuição do emprego jovem está relacionada com “a disrupção dos sistemas de ensino e dos processos de transição da escola para o mercado de trabalho, que dá origem à especial penalização dos jovens com idades entre os 16 e os 24 anos”. Entre estas idades, o desemprego “aumentou muito entre os mais qualificados, o que não aconteceu entre os jovens dos 25 aos 29 anos”.

Para além das “dificuldades crescentes na transição do ensino superior para o mercado de trabalho”, a “vulnerabilidade do emprego jovem no contexto da crise pandémica é indissociável da prevalência de contratos de trabalho não-permanentes”.

Em 2020, a taxa de abandono escolar em Portugal foi de 8,9%, um valor abaixo da meta de 10% estabelecida pela União Europeia para esse ano. Esta progressiva redução tem sido acompanhada por “um aumento acentuado do número de jovens que terminam o ensino secundário e por uma massificação do ensino superior”. Num país com “um histórico défice de qualificações da sua população ativa”, esta tendência tem vindo “a agravar as diferenças intergeracionais, no que diz respeito aos níveis de educação”.

“Ainda assim, os fortes investimentos na qualificação da população portuguesa, ao longo das últimas décadas, nem sempre são suficientes para assegurar estabilidade e qualidade de emprego para os jovens portugueses”, pode ler-se.

Estes fatores, de acordo com o estudo, “aprofundam a divergência entre as expectativas dos jovens e as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho”. Existe um “desfasamento entre as competências dos jovens trabalhadores e as profissões que exercem”, com cerca de 30% dos graduados, dos 25 aos 34 anos, a serem considerados sobre-qualificados para a profissão que exercem.

O objetivo deste Livro Branco é “reunir informação, contribuir para a identificação de desafios e de recomendações sobre o emprego jovem, e promover o debate público, com o envolvimento de todos, na promoção de mais e melhores empregos para os jovens”.

Além do diagnóstico, aponta várias áreas de intervenção prioritárias para a criação de mais e melhores empregos para os jovens.

O Livro Branco vai ser apresentado publicamente no início do próximo ano, contando com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de membros do Governo e de um conjunto alargado de entidades relevantes para o emprego jovem, onde vão ser apresentadas também as iniciativas a implementar no âmbito das propostas do Livro Branco.

A versão integral do Livro Branco pode ser consultada no site da Fundação José Neves.