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Desaparecido há quase três anos: Família de Nuno da Silva vive "com angústia constante"

Redação

Dois de julho de 2020. O dia em que a vida da família de Nuno da Silva, natural de Vila Boa do Bispo, concelho de Marco de Canaveses, mudou drasticamente. Foi o últi mo dia em que Nuno foi visto, desde aí, e quase três anos depois, os dias são vi vidos "com muita angústia" e "com muita incerteza" por todos os que o conheciam.

Fernanda Andrade, irmã de Nuno da Silva, conta, em entrevista ao Jornal A VERDADE, como têm sido vividos estes anos. "É uma angústia constante. Não há nada que passe, muito menos isto. Acre dito que se ele tivesse morrido teria sido melhor, assim sabíamos onde ele estava e conseguíamos fazer o luto. Por muito tris te que fosse a notícia, acho que acalmava o nosso coração".

Nuno da Silva tinha 43 anos quando desapareceu e era emigrante na Suíça. Tinha chegado no dia 2 de julho de 2020 para umas férias na sua terra natal. De pois de jantar com a mãe e com o irmão, saiu "para tomar café". Desde aí, nunca mais deu notícias. "O carro dele foi en contrado no Largo da Feira, no domingo seguinte. Fui eu que apresentei a queixa à GNR e eles iniciaram, de imediato, as buscas, mas sem sucesso", explicou. Se guiu-se uma investigação realizada pela Polícia Judiciária, mas que também não teve frutos. "Soubemos que o telemóvel dele deixou de dar sinal pelas 22h00 e pouco. A partir daí, nada foi alterado, nem as contas dele, nem nada", acrescentou.

De acordo com a irmã, "no dia em que ele veio da Suíça, disse no trabalho que vinha para resolver um problema de um dinheiro que lhe deviam a ele. A judiciária investigou essa pessoa, mas não sabemos mais nada".

Fernanda Andrade é funcionária de um supermercado de Vila Boa do Bispo e diz que "várias vezes achei que o ti nha visto, mas nunca era ele. Penso nele desde o momento em que acordo até ao momento que me deito. É muito compli cado", lamentou. A mãe de Fernanda é uma das pessoas que "mais sofreu e ainda sofre" com este desaparecimento. "Quando se soube da notícia, ela esteve muitos dias sentada à porta de casa a ver se ele chegava. Nos primeiros dias não comia quase nada, o pouco que comia tinha de ser obrigada. Tivemos de procurar ajuda e ela teve de ser acompanhada por um psicólogo", afir mou.

Nuno tinha "muita ligação" à sua mãe e "todos os dias" lhe ligava. "Somos 10 irmãos, mas ele ligava-lhe todos os dias e brincava muito com ela, era muito ape gado a ela. Acredito que se ele estivesse bem, não ia deixar a minha mãe sofrer, sem notícias dele", disse, acrescentando que "era difícil não gostar do Nuno. Ele não tinha qualquer tipo de problemas, gostava muito de conviver e de estar com a família, estava sempre a marcar almo ços e jantares, para nos reunirmos todos".

Momentos que também deixaram de existir, desde o verão de 2020. "Nunca mais conseguimos estar todos juntos, a minha mãe não consegue. Acabou tudo, até para nós é triste, mas compreende mos e aceitamos a decisão da nossa mãe, porque é como ela diz, falta um", disse, emocionada.

A família espera ter "um desfecho", porque "é muito complicado viver nesta incerteza. Cada notícia que surge, a dizer que apareceu um corpo, estamos sempre na expetativa que seja o Nuno. Não há palavras para explicar como se vive. É horrível, é não ter sossego".

Apesar de já ter passado quase três anos, Fernanda Andrade afirma ainda ter "uma luzinha que me diz que ele vai apa recer. É a essa luzinha que nos agarramos todos os dias", finalizou.